sexta-feira, janeiro 08, 2010

Projeto 2010

Agora vai :
Emprego novo, me matriculei na academia aqui perto (a qual tentarei não negligenciar), vou emagrecer, trabalhar, e quem sabe ganhar algum $$$ (não agora, o salário ém ainda aquele, de cozinheiro...) mas estou fazendo de tudo para 2010 dar certo. Se não der, passagem econômica para qualquer lugar porque eu desisti.

Nova vida.

2010 enfim começou ao que parece.

Descolei um emprego em um bistrô, daqueles assim, chiques, digamos assim.
O lugar está em obras ainda, mas já deu para perceber os ares de europeu moderno, tipo, escandinavo, clean e ao mesmo tempo aconchegante, tons suaves de azul e cinza e diferentes ambientes, cardápio extenso mas enxuto ao mesmo tempo, umj lugar onde, dizem, ama-se comida e é feita com carinho pois a lotação máxima são 66 lugares que são nada comparado aos 180 do Kaá, não levem a mal, sempre recomendarei o Kaá, a comida é surpreendente e o ambiente mais que 10, mas ter a chance de acariciar minha comida eróticamente preparada e descrita no menú, não tem preço (e o Mastercard paga a conta) mas estou emplogado e quase querendo que minhas férias terminem, sou ou não sou louco ??
Louco pelo que faço e nada mais.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

A roubada. Master.


Todos os anos possíveis, vou com meu seleto grupo de amigos pescar (sim, apesar de não querer saber de onde vêm a comida que faço, eu pesco) pois além da chance de um mergulho ocasional de snorkeling, eu aprendo mais sobre peixes e frutos do mar do que qualquer livro poderia me ensinar.

Em uma manhã de Sábado estava dormindo em Juréia (ou tentando, pelo calor infernal) quando ouço buzinas e vozes me chamando pelo portão - levantei de shorts, sentindo os efeitos das 143 cervejas da noite anterior se instaurando, cabelos arrepiados e meu molde para clareamento de dentes firmemente aplicado no céu da boca quando encontro Maurício (filho, tem o pai)me dizendo "Corre, vamos pescar em Cananéia até terça", tudo que consegui balbuciar foi "que dia é hoje ?" e ele me diz Sábado. Cacete, saí correndo para todos os lados arregimentando roupas semi-limpas (estava há quase dez dias lá) pés-de-pato, máscara de mergulho, repelente, filtros solares (um rosto, outro corpo, perna direita, esquerda, etc...) e em cincom minutos, estávamos quatro de nós na estrada Iguape-Cananéia fazendo planos, cochilando, acordando enquanto meu estômago se contraia levemente para cima com súbitos impulsos descendentes. A coisa não ia nada bem.
A previsão meteorológica para a região era de chuvas constantes (60mm) e pensei comigo no momento em que estivéssemos na ilha do Bom Abrigo incomunicáveis, ilhados pela maré (o barco não conseguiria nos buscar) brigando à tacape por meio pedaço de rato que os abutres não quiseram, o prognóstico não era nada bom mas contive meus pensamentos e pensei no melhor : haveriam ratos para todos.

Em tempo, explico que a tal ilha não possui infra-estrutura qualquer além de um trecho de praia, água de bica potável tão gelada quanto a que tira de sua geladeira e atrás uma montanha de pedra que protege a mini-praia tornando-a mansa como uma lagoa (daí o nome Bom Abrigo, onde os barcos de camarão param para passar a noite) e onde acampamos todo ano.

Chegamos à cidade e fomos direto ao "portinho", um mini-porto que fica no corrégo principal que desemboca no mar e onde os pescadores locais estacionam seus barcos, carregam e descarregam equipamento e fazem pequenos reparos em busca de nosso futuro piloteiro que nos guiaria durante os dias de pesca e salvaria nossos rabos em caso de tempestades/tufões/mordidas de cobra. No portinho, deve-se perguntar ao Cinésio, um sujeito barbudo, magérrimo e ultra queimado de Sol, o que fazer, aonde ir, com quem falar. Todos os anos, encontro esse homem na garagem de barcos/oficina usando apenas bermudas, deitado em uma rede da qual não se levanta para conversar e geralmente circundado de dois ou três pescadores mais jovens que não abrem a boca (nunca os mesmos, ele troca o staff regularmente ou os mata, sei lá) me lembrando estranhamente uma cena do Poderoso Chefão, mafioso, ele geralmente fala devagar e nunca tem nada otimista a nos dizer. Perguntamos sobre lanchas de alumínio para alugar e o que soou foi mais ou menos o que o poderoso chefão diria "capo, nom tem lancha... ...só para a família... ...entende ? Se você REALMENTE quer uma, posso até arranjar, mas eu estou te fazendo um FAVOR... ".

Após a maledição do Cinestésico (sim, já apelidei) seguiu-se uma louca caçada pelas casas dos caras que conhecíamos para piloteiros, digamos que pescadores são como os caranguejos, queira agarrar um e ele se enfiará no buraco mais profundo o mais depressa possível, como pudemos comprovar nossos heróis não são de fácil acesso.
Após descobrir que os nossos dois caras estavam em Ilha Comprida trabalhando para sei lá quem, tentamos conferir a balsa para chegar lá e tentar convencer nossos piloteiros a não deixar os três japoneses e o turista branquelo morrerem em algum acidente marinho que poderia ser facilmente evitado não sendo um idiota que não conhece absolutamente nada do mar.
Ao chegarmos na fila, nos deparamos com... ...a fila, que ocupava a avenida da praia inteira e fazia a curva ao final dela - turistas em seus carros, lambuzados de filtro solar em seus chapéus e bermudas floridas, crianças por toda a parte, carros com música funk carioca à toda, a fauna toda esperada quando se vai à praia (Cananéia não possui praia, assim, todos tem que ir à Ilha para torrar o couro).
Estacionamos a caminhonete em um ponto mais calmo e os dois Maurícios (pai e filho) foram procurar nossos piloteiros em ilha a pé, enquanto eu e Akio (um japonês 2x2) ficamos para vigiar nossas tralhas na carreta da caminhonete (deixar dois motores de popa dando sopa em um lugar cheio de pescadores não deve ser sábio) ao passo que encontrei na próxima esquina um trailer com vista para o carro - chamei Akio e nos sentamos para comer e beber. O trailer era mantido por duas senhoras muito simpáticas que nos serviram de cerveja e mandaram um pratinho de mariscos ao vinagrete com azeitonas que eu não trocaria por foie gras, azedo, salgado, colorido com pimentões na própria conserva, perfeitos. Como a coisa prometia, pedi manjubas fritas enquanto Akio entornava a segunda de cinco garrafas de cerveja àvidamente, o calor agora começava a ser intenso. A porção chegou e era imensa, crocantes manjubas sobre salada com batatas fritas e uma porção de queijo prato em cubos com azeitonas em uma travessa que mataria um hipertenso em minutos.
Suamos, comemos, bebemos, meu estômago começava a dar sinais de recuperação lentamente, agora, só sentia o equivalente a leves socos sendo desferidos nele enquanto meu colega já sentia o leve entorpecer da cerveja batendo (a cerveja tomada embaixo de um Sol à 35 graus ambiente, não pode fazer bem) o rosto enrubescido e sorrindo à larga, alguém vai se divertir pelo menos, pensei.
Os Maurícios voltaram e o prognóstico não era bom: Todos os piloteiros estavam ocupados baldeando os turistas e os barcos todos tomados quando resolvemos perguntar ao cara sentado atrás de nós com vísivel cara de local, Célio em segundos conhecia um cara que conhecia um cara e tinha o modus operandi de um traficante, em minutos um sujeito atarracado em bermudas verde-limão chegou, Carlinhos era dono de um barco e poderia nos atravessar, o cara era monossilábico e respondia nossas perguntas com sim, não e um ocasional talvez\ grunhido gutural que significava alguma coisa contra a sua vontade. Barco para travessia, ok, faltava a tal da lancha de aluminío que usaríamos para nos deslocar durante a estada aos pontos de pesca.
Aí, a coisa desandou.
Corremos cidade abaixo, olhamos em garagens,falamos com tipos variados, e nada da maldita lancha, meu reino por uma droga de uma lancha.
Mais umas tentativas e decidimos tentar uma pousada para pescadores da qual Akio ouviu falar, Clodo e Rose era o nome e ficava na estrada às margens do braço de mar que divide Ilha e Cananéia, com tudo mais perdido fomos ao tal lugar chegando meio que por instinto. Akio, no carro, ainda inebriado pela cerveja, fazia piadas, ria, não se importando com nosso silêncio sepulcral e leve toques de mau-humor instilados por noites sem dormir (era dia 02 de Janeiro, haviámos bebido pelo ano todo) mas ao chegarmos fomos recepcionados por uma bem-humorada Rose em muletas e com a perna engessada - tem quarto ? tem. Tem isca ? tem. Tem café da manhã ? tem. E o melhor, baratinho.
Tratamos de descarregar nossas tralhas, ir comprar gasolina e enfim, lembramos de almoçar em um restaurante na entrada da cidade com estrutura familiar tipo garçom/gerente/caixa e um chef/cozinheiro/faxineiro/lavador de pratos que fez nossos pedidos dolorosamente a lá minute, cada prato, salada, arroz cozido à ordem... ...quase morremos de esperar mas a comida era ótima, minha parmegianna poderia ter menos queijo e alho, mas com as circunstâncias eu não iria me atrever a bancar o gourmet, tanto queijo que pensei que sentaria por três dias e digeriria a comida como uma jibóia o faz ao engolir um elefante (detalhe o calor que já beirava uns 36 graus). Meu estômago a essa altura já não sabia mais o que pensar.
Chegamos de volta eufóricos, carregamos o barco, pusemos o motor, fizemos as linhas das varas, e fomos os quatro pescadores solitários pela água por volta das 17:30hs. em busca do peixe perfeito.
O peixe perfeito se revelou em vários baiacus que se inflavam do tamanho de bolas de handebol ao serem obrigados a vomitar nossos anzóis, bagres que nos ameaçavam com seus espinhos e nada mais. Ficamos até o anoitecer e voltamos prometendo vingança no dia seguinte.
Ao voltarmos uma onda de otimismo tomou conta do grupo: banho em chuveiro e uma cama confortável para cada um de nós nos aguardavam ao invés das barracas de camping quentes e desconfortáveis que teríamos na ilha simplesmente cinco estrelas para idiotas como nós - tomei banho,peguei minha cerveja e fiquei esperando para ver se alguém iria à cidade comer pois agora estava no topo do mundo.
M. filho se compadeceu e topou ir a cidade em busca de jantar, como manda a minha sorte, ao pisarmos fora da pousada a chuva começou mas sem problema, queríamos apenas comida.
Ao chegarmos ao centro de Cananéia pudemos conferir que todos os milhares de malditos turistas da balsa haviam voltado e ocupado cada mesa de restaurante, lanchonete e bodega possíveis e agora a chuva havia se transformado em uma garoa espessa dev fazer inveja à São Paulo, nossos cabelos molharam, assim como nossas roupas, o gel escorria de meus cabelos entrando em meus olhos e agora passamos de topo do mundo para fundo do poço, andamos, andamos e nada, nem uma mesa, um balcão, nada. Lembrei de yum lugar simpático na entrada de Cananéia (a Avenida Principal eu acho) que tinha caras de quiosque e gente sentada em espaço coberto porém aberto. Já eram quase meia-noite.
Chegamos agora debaixo de uma chuva torrencial, descolamos uma mesa e sentamos, o lugar era pequeno e havia uma grande mesa ao centro com um grupo de turistas barulhentos, pedindo coisas a cada minuto e reclamando.
Quando se trabalha em restaurantes, nota-se como funciona e o que acontece à sua volta a cada instante e quando vi um senhor grisalho entrando apressadamente com três rolos de massa de pastel quase que os escondendo, percebi que os caras estavam em maus lençóis - a mesa grande brandia, gritava e reclamava pelos pastéis nunca despachados e aí percebi que tudo que era pedido estava sendo feito na unha ali dentro da cozinha. Perguntei a tão não-solícita garçonte em shorts jeans e sandálias sobre o tempo em que nossa porção de carne-seca levaria,ao passo que recebi "de quinze a vinte minutos" tentando ignorar as duas moças na mesa atrás que desabaram a rir ao ouvirem isso, isso nunca é um bom sinal.

Cronometrados vinte minutos, a garçonete volta e nos informa que a porção inexiste - contendo a vontade de enfiar um garfo na carótida dela, pedi a conta das bebidas e ela acabou nos oferecendo dois pastéis (cobrados) de carne-seca com queijo, ao qual comemos resignados enquanto meu colega quase caía de cara na mesa de sono.
Voltamos à pousada e nos preparamos para cair na cama e desmaiar, agora cansados de verdade teríamos a melhor noite de sono de nossas vidas.
"Porvinhas" é o popular para um micro-inseto hematófago que tem a capacidade de atravessar qualquer tela-mosquiteiro existente no mercado e aparentemente, elas nos acharam deliciosos - às duas, três, quatro da manhã estávamos todos acordados e se batendo por causa das milhares de malditas que estavam no quarto, onde lia-se "repelente" no frasco poderia muito bem ler-se "Tabasco" pois as malditas ignoravam o fedor do repelente que quase nos matava... ...o calor dentro do quarto era incrível, nunca soube bem o quanto de calor lajes poderiam acumular - todos estávamos incomodados exceto Maurício Pai que dormia como se estivesse em um hotel cinco estrelas no Tahiti (couro velho, dizia Akio) ouvia-se tapas, reclamações e palavrões à larga dentro do quarto e lá pelas cinco da matina, todas alimentadas resolveram nos dar uma trégua.
Seis e meia da manhã, M. Pai acorda consequentemente acordando todos nós, SEIS E MEIA ?? eu perguntava para ele enquanto ele sorria e sorvia o primeiro cigarro do dia, éramos agora, nós três, o retrato da dor com olheiras profundas, vermelhões e vergões que fariam qualquer vítima de tortura de Guantanamo parecer saído de um resort. Tomamos nosso café da manhã e montamos no maldito barco, cheios de esperança e vingança no olhar - vamos matar esses malditos peixes, alguém tem que pagar por isso.
Eis que em uma parada à beira de um delta para pescar, fomos atacados por mutucas e borrachudos, os peixes beliscavam suavemente apenas para nos roubar cada camarão vivo de 0,40 a unidade e nossos fregueses fiéis, sabendo que sairiam impunes (soltos na água) não se fizeram de rogados; Baiacus, bagres e agora Siris estavam se deliciando com camarões frescos antes destinados à Robalos e Corvinas que estavam ocupados demais para morrerem nas mãos de quatro turistas imbecis.
As iscas acabaram, os Baiacus engordaram e nadaram livres pelo mar, as costas doíam, o mormaço do mar estalando minha já quase insolação recém-adquirida e vamos voltar para a pousada, vamos voltar para casa, nossas almas já detroçadas não aguentavam mais tanta decepção. Ponto alto para o jantar às cinco e meia, pescada em filés frita, crocante por fora e suculenta por dentro e arroz com o feijão mais delicioso que comi em décadas (só não contaram onde conseguiram as pescadas e ninguém se atreveu a perguntar, era muita humilhação) e pé-na-estrada para casa, Rose perguntou se iríamos voltar, a esta altura, esse tipo de pergunto eu responderia com um sonoro não seguido de dois chutes na virilha, naquele momento, eu não faria aquilo de novo nem se minha vida dependesse disso.

No carro, já estávamos todos quietos, cochilando, e conversando sobre o que fazer na próxima...

...e vai ter uma próxima, pois, todos os anos são assim - voltamos cansados, irritados e algumas centenas de reais mais pobres mas... ...sempre pensando no próximo ano.

E eu, adoro uma roubada.

Praia - conheça antes que acabe.

Fim de ano - Sol,praias cheias, peles esturricando ao Sol, sim senhores estamos em pleno inferno.

Nunca me canso de admirar a beleza das praias, a brisa e as ondas enquanto chuto garrafas pet e cacos de vidro andando por essa maravilha que é a areia branquíssima entopetada de bitucas de cigarro e as vezes, e se tiver sorte pode-se pisar em um cocô de cachorro já seco (descalço, é simplesmente uma das piores sensações que existem) mas o ponto é: se as pessoas amam a praia tão loucamente assim, porque a tratam pior que suas latrinas ? Nunca vou entender.
O clima está mudando, as temperaturas e as chuvas já anunciam que em breve será impossível andar pela praia sem um escafandro ou roupa de amianto impune.
Uma pena.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Música que eu gostei do momento

AMEI...




Meus amigos do núcleo espanhol... hahaha

Saudadinha...


Tava assistindo o Mais Você pela Net, para ver o Gustavo (que saiu, humpf!! esse povo não sabe de nada Gustavo...) e vi o povo do Kaá torcendo por ele na TV.

Deu uma saudadinha...

Vida nova, toca pra frente...

Mas que sempre eu tenho essas saudades dos lugares, eu tenho.

O bom e velho Marketing



Bem, antes de mais nada, estou ainda naquela preguiça idílica, letárgica de quem passa muito tempo fazendo nada...

Peguei a loja de uma amiga (que vai abrir) a pedido dela para fazer logo, batizar e o que mais for preciso - voltar aos tempos de criação, putz, quase me esqueci como se usa o CorelDraw mas enfim, mãos à obra. Pedi pistas sobre o que agradaria as sócias, cores, temas, e fui seguindo o caminho e fui tentando introduzir novas cores, formas e nomes (e não conseguindo pois a mulher é irredutível) mas fui pensando em um nome de mulher para o projeto que ela sugeriu (ou nós sugerimos) que era Madalena... ...fazer o quê com Madalena como conceito geral ? A Madalena pode ser moderna, antiga, Bíblica, etc...
Eis que segui para esse lado até como distração (lembrei como é chato estar preso diante ao computador com um branco criativo e um prazo, lembrei porque deixei a profissão) mas virou meu projeto/dentro do projeto de estimação, vetorizei uma foto que achei por aí, brinquei e saiu um negócio legal.
Quando me dei conta, estava criando na verdade um logo para um restaurante (quando percebi, fiquei contente até por saber que minhas duas habilidades podem conviver em harmonia) mas teve surpresa sim, não me toquei até parar e dar uma séria analizada... ri sozinho da minha mente traiçoeira.

O resultado foi até "moda contemporânea" em alusão ao que na verdade queria dizer "Cozinha Contemporânea" - coisa de louco.

Dá uma olhada e vê se eu não sou louco....

quarta-feira, novembro 25, 2009

Dolce far niente (ou a Vadiagem).



Ossobuco ao Pomodoro com Risoto ao perfume de Limão.
Estes meus dias vadios estão passando devagar.

Por outro lado, as primeiras semanas, foi um sufoco do caramba, terminar contas jazidas em dois bancos, fazer os exames médicos (falta um ainda) e graças a Deus minha Rosácea (alergia no rosto, acneica, vermelha e nojenta) estourou depois que eu saí de férias, caso contrário estaria de licença médica até hoje.
Nunca peguei tanta fila na vida, fila de banco, fila no médico, fila no supermercado (aqui em Ibiúna city, você tem que ir em horário normal, não tem 24hrs.) e tô de saco cheio, preciso ter staff para mim, se tivesse mandava até no dentista em meu lugar.
Em casa, estou cozinhando, testando, reaprendendo os básicos tipo Ossobuco, Molhos (fiz um Pomodoro Basílico show), Creme Brulée, etc... ..até sua mãe faz melhor ? Eu não me importo nem um pouco, o que vale é o capricho e as técnicas que aplico. Estou guardando vidros daqueles de tampa, de palmito e molho, para armazenar chutneys, molhos de salada e qualquer outra idiotice que passar pela minha cabecinha.
Estou analisando propostas de emprego (aliás, tenho que ligar pra um amigo para saber da melhor mas tô com medo que seja amanhã, amanhã não quero não.
Enfim... tempo para gastar (aliás, gastar dinheiro tem sido meu esporte favorito, como se gasta quando não se ganha) mas justifico pois a maior parte dos gastos foi usada para reconstruir meu carro que andava abandonado pela falta de tempo/disposição e confiança nas oficinas de SP, Ibiúna eu conheço e ninguém me enrola.

Preguiça de escrever também... ...depois eu posto mais, hoje vou fazer o Creme Brulée de Baunilha e Lavanda (atenção, Lavanda natural roubada do jardim de uma amiga) e utilizar meu Pomodoro com Manjericão fresco colhido do meu quintal para cozinhar o ossobuco. Quer coisa melhor ?

terça-feira, novembro 17, 2009

Super Chef

Está aberta a temporada do Super Chef,

Na real,eu nunca havia assistido o programa por pura falta de tempo e disposição mas agora a coisa tem um tempero especial - meu amigo Gustavo está lá competindo então por favor, votem nele !! Porquê ? porque eu quero oras...
Na verdade, é só porque ele é qualificado e sempre pensa na cozinha coletivamente, sempre visando o bem-estar geral e porque é uma pessoa honesta e de cárater, pois cozinhar qualquer um aprende mas ter caráter... são poucos.
Boa Sorte Alemão !!

E se ganhar os 50 mil, é claro que ao menos uma cerveja você vai pagar...

terça-feira, novembro 03, 2009

welcome to Hell babe.


Acabei de assistir a quinta temporada de Hell's Kitchen e estou estupefato.

Primeiro porque, Gordom lembra-me um tanto de cada chef para quem trabalhei (e para quem abuso verbal, não resulta em um processo litigioso) e também tive meus momentos de batatadas quentes na nuca, frigideiras sendo arrancadas de meus dedos e lançadas sete metros até a pia mais próxima, mas eu nunca desanimei (mesmo, acreditem) mas Gordom Ramsey é o Papa da criatividade em abuso - ou ele segue o que roteiristas sádicos escrevem para ele ou ele é o sádico mais habilitado na história.
Enfim, ao assistir o show, senti simpatia por Paula, a garota que está sempre consistente e nunca reclama dos gritos e achaques de GR, aquele olhar de quem está acostumado ao pior me cativou e para minha surpresa, descubro que ela é BRASILEIRA !! Claro que afetou meu senso de justiça, mas apesar dos pesares ainda acho que ela deveria ter ganho pela constante qualidade - ao ver que ela havia perdido quis encontrar os produtores, caçá-los e causar-lhes mais dor do que se é possível imaginar. A prova em que eles teriam que fazer 100 pratos para serem degustados por 100 chefs de Los Angeles (a qual ganhou) sinceramente me faria borrar as calças e chorar feito uma menininha de 9 anos pouco saudável...
Quando tento me colocar no lugar desses competidores, às vezes acho que me sairia melhor mas as vezes acho que simplesmente me jogaria no chão e me recusaria a respirar até que chef fosse me dizer que está tudo bem, vendo minha cor arroxeada e minhas veias saltando na minha testa, e que eu não precisaria me preocupar com nada...

...mas eu tive a minha parte justa de "Você nunca vai ser um chef", "Você é idiota ???" ou então "get a grip you silly bitch !!" (algo como recomponha-se sua cadelinha idiota) e a clássica "Sul Americano de merda" da qual engolia enquanto lavava os pratos, fazia o guarde-manger e empratava sobremesas simultâneamente esperando a terra se abrir e me engolir em ardentes labaredas.
No fundo, talvez todas as cozinhas sejam Hell's Kitchens espalhadas pelo mundo...

Mas eu ainda sinto falta das minhas primeiras Hell's Kitchens na Nova Zelândia, sinto falta das brigadas, das lutas e do aprendizado que eu tive lá, simplesmente porque eu não era mais um na linha de montagem, eu era o cara da produção, da partida e do que mais quisessem que eu fosse - eu estava lá e do alto dos meus vinte e poucos anos era considerado um cozinheiro em ascenção, quero sentir isso de novo.

Estou de férias por opção, resolvi mudar (e descansar um pouco) mas já estou debruçado em meus livros de receitas e querendo mais, é estranho não estar (sempre) trabalhando mas estou com sede de uma cozinha em que estou fazendo milhares de coisas diferentes, em que eu aprenda errando e acertando mas sempre em movimento.

Enfim, parece que sei o que quero.
E eu quero arder no inferno.

sexta-feira, outubro 30, 2009

Hell's Kitchen

Comgás - O fim da era do gelo.


Enfim, a Comgás deu as caras esta semana.

Chegaram às três da tarde com seus equipamentos e como em tudo na minha vida que pode dar errado, chegaram logon após eu terminar de limpar o apartamento mas na hora nem liguei - furadeiras escavando as paredes, ferramentas e pedaços pra tudo quanto é lado, muita bagunça. Enfim instalado, eu aqui esperando e já duas horas atrasado para o trabalho não me contive e fui tomar banho, um banho maravilhoso, quente e com um jato de água que quase me prega na parede do box, sim, estou de alma lavada.
Chego a quase parecer um ser humano agora.
Equipamento: Lorenzetti
Empresa: Comgás
Tempo de instalação : quatro horas
Tempo de espera: Três meses.

Quero até chamar os vizinhos para tomar banho aqui de alegria, mas infelizmente é socialmente inaceitável... ...tipo, quer tomar alguma coisa ? Cerveja, refrigerante, um banho... Sim, assustador, eu sei...

quinta-feira, outubro 29, 2009

Músicas

A Rafaella (o link está aqui ao lado) fez essa lista e eu achei a brincadeira engraçada e postei aqui as minhas, a lista dela é claramente mais eclética e de melhor gosto, mas não custa tentar.

1 - Três músicas que lembrem sua infância:
Balão Mágico - Superfantástico
Aquarela - Toquinho
A-Ha - Take on me

2- Três músicas que lembrem sua adolescência:
New Order - Bizarre Love Triangle
Guns and Roses - November Rain
Corey Hain - Into my life


3- Três músicas para ouvir em uma noite chuvosa:
Foo Fighters - Next Year
U2 - With or Without you
Peter Gabriel - Mercy Street

4- Três músicas que lembrem seus amigos:
Hootie & The Blowfish - I go blind
Aerosmith - Dude,looks like a lady
The Black Crowes - Big Yellow Taxi


5- Três músicas que seus pais gostam e você também:
Qualquer uma do Sinatra
Qualquer uma do Queen
Algumas Clássicas

6- Três músicas que te lembrem uma paixão (não necessariamente a mesma):
Guns and Roses - Sweet Child o'Mine
Alanis Morrisette - Hands Clean
U2 - All I want is you


7- Três músicas para tocar em uma manhã ensolarada:
The Verve - Bitter Sweet Symphony
Bangles -Maniac Monday
Ryan Star - Brand New Day


8- Três músicas que te entristecem:
U2 - All I want is you (sim, acabou mal)
Pearl Jam - Daughter/Betterman
Semisonic - Closing Time

9- Três músicas bregas, que você assume que gosta:
Chitãozinho & Xororó com a Fafá de Belém - Nuvem de lágrimas (sim, eu também)
Jair Rodrigues - A Majestade o sabiá
Elis Regina - Tiro ao Àlvaro


10- Três músicas para ouvir em um carro conversível na estrada:
Blind Melon - No Rain
Rolling Stones - Jumpin' Jack Flash
Aerosmith - Crazy


11- Três músicas que te empolgam:
New Radicals - You Get What you Give
Blur - Song 2
Rolling Stones - Brown Sugar


12 - Três músicas para beijar ou para ouvir em momentos íntimos:
INXS - Never tear us apart
U2 - Bad
Coldplay - Violet Hill


13 - Três músicas que tenham uma versão bem diferente da original e que você curta
U2 - Everlasting Love
Pearl Jam - Soldier of Love
Frente ! - Bizarre Love Triangle (acoustic)


14 - Três músicas que conheceu recentemente e curtiu
Butthole Surfers - Summer in the city (é cover mas, animal)
Jackal - Lumberjack
Butthole Surfers - Detachable Penis (!?)


15 - Três músicas que você não suporta
Osvaldo Montenegro - qualquer uma
Celine Don - qualquer uma
Brian Adams - deveria morrer.


16 - Três Músicas que você acha Sexy
Duffy - Mercy
INXS - Need you tonight
No Doubt - Hella Good

quarta-feira, outubro 21, 2009

Os caras da cozinha.


Em uma cozinha você conhece os mais variados tipos de pessoas.

Por mais diversidade que se tenha, sempre haverão os tipos que se enquadram em definições que estão disponíveis no mundo todo, em qualquer cozinha de qualquer nível/tamanho e especialidade não importa - eles estarão lá, povoando minha imaginação e comparação.

Vou tentar traçar alguns tipos comuns.

1.O perfeito.
Ele é perfeito até debaixo d'água, sua barba está sempre feita com precisão cirúrgica, sua doma está impecável e não importa a situação, ele não atrasa nunca - nunca está cansado pois não sai à noite, não bebe e não fuma (o que elimina a possibilidade de escapadinhas), frequentou ao menos uma escola de culinária francesa e sabe todos os nomes, nomenclaturas, cortes e técnicas de cor. É a grande promessa da culinária se não fosse a falta de imaginação tremenda que o aflige, se você tirar uma virgúla fora de sua perfeição, ele vai se ferrar e vai culpar alguém, pois ele é perfeito - um pé no saco...

2.A Diva.
Chega trabalhar quando bem lhe convém, não aceita conselhos pois (alega) sabe tudo e não se importa em dar pitaco no seu trabalho na frente de quem quer que seja, ele se acha perfeito como o Perfeito mas com uma pomposidade e arrogância que faz quem não o conhece pensar que ele é o próximo Alain Ducasse. Em geral, esses tipos são os que cedo ou tarde estarão sentados na calçada chorando com o rímel escorrendo de seus olhos.

3.O mercenário.
Ele não compra livros de culinária, não lê revistas sobre o assunto e não quer saber de nada que não seja trabalhar para quem pague mais. Tem a fidelidade de uma prostituita Tailandesa e basta abanar umas notas e ele será todo seu - tem habilidade e é geralmente um ótimo cozinheiro que executa tudo que lhe é pedido com precisão e rapidez, porém, não fica nem um minuto além de seu horário e não tem paixão no que faz. Ainda sim, são ótimos para se ter em uma cozinha abarrotada.

4.O Artista.
Ele tem uma imaginação de Júlio Verne - está sempre pesquisando novos ingredientes, gosta de pratos que levem 28 ingredientes diferentes e fariam sexo oral em Ferran Adriá, tem horror ao que é tradicional - sua arte é sua vida e sua vida é criar. São ótimos em fazer pratos lindos que levam horas para ficar prontos, mas na partida são inúteis e frustrados pois tem que executar a comida dos outros repetidamente e isso para ele é a morte. São reconhecidos pelo olhar de indignação que desferem à qualquer clássico francês, como um gay olhando uma coleção da estação passada, sentem o mais profundo desprezo por tudo que não é... ...Hype.

5.O frustrado.
Tinha um futuro brilhante como Físico Nuclear mas acabou em uma cozinha - não sabe como ao certo mas sua inequação social o levou à cozinhar para viver e ele se acha muito mais que aquilo, não confessa nem sob tortura que realmente gosta do que faz e tem aquele ar de indignação constante que ninguém sabe ao certo de onde vem, pois ele não se resigna. Fica dizendo que poderia mudar de vida a qualquer momento mas nunca o faz, foi pego pelos testículos pela cozinha e sabe que tem que sair do armário de uma vez e assumir que fez a escolha certa ou errada mas que agora seu destino está selado à fogo - se realmente pudesse ou quisesse fazer outra coisa, estaria fazendo.

6.O Pirata.
Esse cara é um rockstar da cozinha, sabe um pouco de tudo pois aprendeu um pouco de tudo na marra e nas constantes mudanças de cozinha que fez, cozinha em qualquer lugar que tenha um fogão e uma frigideira e sabe utilizar o sistema D como ninguém, a obtenção de itens não-autorizada é uma de suas especialidades e está na indústria porque é um pária da sociedade - enche a cara todas as noites e é considerado pelos colegas como aquele cão vira-latas que todos chutam mas amam e alimentam. Tem sérios problemas com autoridade e detesta regimes militares de cozinha mas a cozinha lhe proporciona tudo que mais gosta; bohemia, companheiros de balada e garçonetes (que nunca pega mas não custa tentar).

7.O Sargento.
Ele acha que a vida é dura, foi para ele e deve ser para você também, acha que a cozinha é um lugar que não saiu da idade média e que não deveria sair nunca - Forno Combinado ? isso é pra Maricas, saia e rache lenha no fundo do restaurante se precisar de um forno... Sua comida é tradicional e ai de você se mudar um ramo de Alecrim, sua fúria seja despejada sobre você como a maldição do inferno, se sua barba está 0,5mm crescida, você está ferrado, se seu uniforme tiver uma mancha, você terá de lavar nem que seja na lava-louças (que ele tolera, pois, antigamente era tudo no braço). Esses caras ainda acham que Thermomix é coisa do tinhoso.

8.O Alquimista.
Ele realmente sabe o que é alginato - sabe a composição química, o peso atômico, sabe onde empregar e como empregar e tem orgasmos múltiplos quando falam, a palavra UMAMI perto dele. Masturba-se com o livro de receitas de Ferran Adriá e não sabe como um Ravioli ainda não poderia ser líquido e de preferência, uma esfera perfeita de cor vibrante. Vive pesquisando e sabe aonde obter nitrogênio (o que o Pirata, por exemplo, usaria para congelar e quebrar em pedaços as Globais dele) e sua vida é uma constante busca pela inovação, se esse cara estivesse pesquisando a cura do câncer, ele teria muito mais uso para a humanidade. Assim como outros tipos acha que está perdendo tempo cozinhando comida que é identificável visual e oralmente.

9.O lesado.
Está constantemente comendo durante o serviço pois está em uma larica interminável, está sempre duro pois tem que arcar com as drogas e está sempre em estado letárgico em algum canto da cozinha - é num cara sossegado e não tem maiores preocupações na vida do que conseguir pagar aluguel/marijuana/contas e nada mais pois come o que acha disponível durante o trabalho. Não tem grandes ambições.

10.O acelerado.
O cara acelerado é aquele que se encaixou na cozinha para justificar sua hiperatividade, está sempre empolgado e correndo, tem sempre pique para mais duas horas e faz com que a equipe inteira pareça um bando de preguiçosos dopados em comparação à ele, se pudesse, levaria todas as praças nas costas sozinho e serviria às mesas com aquele sorriso maníaco e olhar esbugalhado de quem acabou de tomar três speedys e quatro Red Bulls que nos fazem pensar se algum dia ele dormiu mais que quatro horas em uma noite. Ele sai na balada, chega de manhã no gás já com planos para a próxima noitada, vai à academia, faz Tae Kwon Do, Tricô, Cuida da Avó doente e ainda assim tem tempo para te dizer que você é desanimado. Irritante.

11.Obssessivo - Compulsivo.
Nenhuma etiqueta falta. Os cubos da brunoise são milimetricamente perfeitos, o sal é pesado na balança, a geladeira impecável, ele também é perfeito com a diferença que uma grama fora do lugar pode causar um surto psicótico. Para ele, você é simplesmente relaxado e sujo, você é um verme desprezível que ele pretende pôr nos eixos. Se você exagerar no sal, a terra vai se abrir e engolir todos nós em uma hecatombe terrível.

Tem muitos mais que eu poderia listar e na verdade, em todos eu consegui enxergar uma característica ou fase próprias, então o que deve ter de gente me encaixando em um dos perfis acima, não deve seu pouco.
Somos figuras ímpar - ahh... eu adoro isso.

Comgás - a eterna espera.



Bem, estávamos em Agosto e o negócio não ia para a frente. Estamos no final de Outubro e até agora não ouvi falar dos caras (que já estão cobrando o aquecedor) será que eles instalam antes de terminar de pagar em dez meses a geringonça ?
Minhas terminações nervosas estão amortecidas de banhos escaldantes/frios de repente espero ter algum dano neurológico em breve para poder processar os malditos.

Anatomia da Cozinha.


Sempre quis ser um médico - cirurgião.

Cortar, emendar, desvendar os males que afligem as pessoas sempre foi fascinante para mim, mas esse sonho foi literalmente esmagado quando minha mãe disse que eu era (e sou) muito distraído e atrapalhado para isso (e que, se quisesse, teria que bancar sozinho a empreitada seis anos de faculdade mais moradia, custos, etc...) mas enfim, ter virado cozinheiro deve ter a ver com usar um jaleco branco, porém o jaleco é uma doma e o hospital uma cozinha cheia de gente, calor, umidade e gritaria deixando apenas na coincidência os gritos de dor e agonia da equipe ao invés dos gritos dos pacientes do PS. Eu seria um grande médico.

Mas o destino assim quis e eu virei um cozinheiro - meus pacientes são cenouras e zucchinis que estão à espera de um futuro breve e melhor, se tornarem algo extraordinário em minhas mãos, somos cirurgiões plásticos de verduras, legumes, tudo que cresce ao Sol da face da terra pode ser transformado por nossas facas, mãos e mentes em algo extraodinário, fora do comum, carnes assumem outras personalidades porém mantendo as características que fazem dela, ela mesma (e esse não é o primordial em um cirurgião plástico ?) e os clientes são como as famílias dos pacientes - eles esperam um transplante de coração e é isso que querem receber, se o paciente vai sair do hospital direto para uma maratona, tanto melhor, se surpreenderam mas eles esperam um coração e pronto. Assim é com a comida que produzimos, deve ter o resultado que esperamos e se conseguirmos surpreender, é o extra que pudemos oferecer no tempo e condições que temos.

O tempo aliás, é também comparável entre eles e nós, se não operarem precisamente naquela janela de tempo que possuem, o paciente morre e se nós não acertarmos na primeira o paciente ( a comida) morrem e tudo que você pode fazer é acertar na próxima ou mandar o paciente para sua família com sequelas (ele ainda está vivo, mas com um resultado abaixo do esperado) então o trabalho de precisão está lá e a pressão é diferente porém, presente, suamos, rezamos, esperamos pelo pior para obter o melhor. E quando criamos algo totalmente novo, a comida só poderia ter uma bunda para podermos dar um tapa,é igual a realizar um parto - queremos logo mostrar a criança à família para que possam fazer uma grande festa e comemorar, ser o pediatra dela e vê-la crescer e ficar mais e mais alguém com uma personalidade própria. Alguns desses bebês criados pelos chefs não só cresceram, mas nunca morreram, mudaram de personalidade, amadureceram, mas estão lá vivinhos e saudáveis através da eras.
O Diretor do hospital geralmente é um cirurgião excelente, assim como o chef de uma cozinha que tenta alocar sua equipe e ter o mínimo de perdas possíveis a qualquer custo, são horas longas e duras de trabalho para a equipe com muita frustração, pouca vida pessoal e muita, muita expectativa de que dias melhores virão enquanto se assiste ao pior, um paradoxo curioso para ambas as profissões - um otimismo necessário para se sobreviver nestas indústrias.
O blog tem este nome porque eu sempre comparei as duas profissões, temos nossas maletas com instrumentos afiados, curvos e curiosos, estamos sempre correndo como se o mundo fosse acabar e disputamos a tapas uma cirurgia interessante, um evento gastronômico ou a simples possibilidade de executar algo inovativo, diferente e com resultado surpreendente, que leve menos tempo, que satisfaça as necessidades básicas e imediatas de nossos clientes. Somos Deuses dentro de nossas Domas e Jalecos, enquanto passamos as pessoas nos olham com curiosidade, admiração ou profundo desprezo, ódio por termos deixado alguém morrer - seja um ente querido, seja aquele prato que tanto desejava, ansiava salivando na mesa de antecipação.

A única diferença (grande) é que no final das contas, após anos e anos fazendo suturas e curativos antes de operar, descancando kilos e kilos de cabolas, cenouras e batatas antes da Lagosta, o que nos resta depois é saber que enquanto o médico é festejado pelas pessoas e vai receber um pomposo cheque no final do mês, a maioria dos chefs sua a camisa para pagar o aluguel. Não importa quantas Lagostas tenha salvado da mediocridade.
A única vida que um chef salva, ultimamente é sua própria.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Paciência - o retorno.


Andei e ando sem paciência, e quando entro nessas fases me torno uma pessoa realmente difícil.

Se você fuçar um pouco mais o blog, vai perceber que tenho imensas dificuldades nessa área, mas eu tento controlar de alguma maneira.
Não tenho paciência com pessoas que andam devagar, não tenho paciência para esperar que alguém me ligue (eu acabo ligando) não tenho paciência para esperar pelo ônibus assim como não tenho paciência para assistir meus programas de TV favoritos (faço o download pela net de temporadas que ainda não passaram aqui) e ai se o download estiver em 3kbs por segundo, parece que meu coração parou.

Odeio ter que esperar em filas, odeio ir à bancos onde tudo depende de paciêcia (cartórios tenho fobia), detesto o sofazinho do mecânico enquanto ele arruma meu carro e não tenho onde ir durante, detesto ter que aprender tudo como todas as pessoas (errando e consertando devagar) e tampouco com minhas indecisões. Não tenho paciência com técnicos da Comgás que eternamente não vem arrumar o aquecedor.
Me sinto mal quando minha impaciência me faz irracional, irrascível e mau-humorado, tento consertar depois de fazer um montão de merda e parece que a coisa fica pior.

Odeio ficar parado no trânsito e quando não tem vaga de estacionamento e tenho que esperar algum carro sair ( e quando espero a pessoa que entra no carro para liberar uma vaga fica eternamente se ajeitando para sair). Eu deveria ser trancafiado para não conviver em sociedade nessas ocasiões.

Um cozinheiro impaciente, no entanto deveria ser o melhor, executar rápido tudo e se livrar de cargas e cargas de pedidos de uma vez, será que isso é bom ? Não, nunca é bom não ter paciência - de repente as mesas demoram a pedir, as coisas embolem e pronto, ganho uma úlcera...

Estou em franco contato com meu lado paciente e tentando melhorar. Espero que eu consiga, sinceramente ninguém merece minha impaciência (e grosseria).
Tenho tentado sim. Só queria saber se terei paciência para conseguir (suspiro)...

Quero uma pílula da paciência, mas até pra isso vou ter que ter paciência para esperar inventarem.

Tendências.


Bem, de tudo que tenho lido e visto, tenho idéias.

Apesar da onda brasileira (contemporânea) ainda vejo uma certa dúvida do grande público em pagar mais por pratos conhecidos, ainda que repaginados e executados com técnicas de ponta, o público ainda não está realmente preparado para uma autêntica brazilian cuisine mas estamos a caminho e os chefs estão trabalhando para tornar nosso terroir atrativo, mas em críticas que li, geralmente os gringos gostam mais disso do que os próprios brasileiros e infelizmente o lucro não virá dos gringos ocasionais acho eu. Se dão bem os que fazem fusion entre Brasil/França/Itália e Ásia.
Claro que temos o Mocotó, mas como toda regra exitem exceções...
Apesar de termos nossa culinária diversa e maravilhosa, os brasileiros estão interessados no mundo - francês contemporâneo ainda lidera e uma crescente curiosidade pela Ásia está surgindo quando não pela fusão entre eles. Como estou em São Paulo claro que a Italiana não preciso nem mencionar, agrada sempre principalmente nas refeições em família mas o que nossos gourmets amadores procuram cada vez mais é a reinvenção do que provavelmente muita gente nem conhecia originalmente que são os clássicos;o que talvez explicaria a fascinação crescente pela simplicidade e informalidade dos bistrôs - os que já conhecem querem ser surpreendidos e os que não conhecem querem conhecer ainda que esteja adaptado ao seu paladar digamos, mais moderninho. Mas não pensem em Nouvelle Cuisine, graças a Deus essa onda já passou e deixou coisas muito ruins e coisas muito boas também como a manutenção dos sabores e frescor dos ingredientes.

Irlandeses e Ingleses estão também invadindo SP, já ouço os rumores de sucesso mas não sei realmente como pratos desses países vão se virar no Verão brasileiro quando abandonamos sopas e batatas em busca de coisas mais leves... ...claro que ambas possuem pratos mais leves que as tradicionais comidas de Pub, mas estou curioso para ver o que os chefs farão em seus cardápios sazonais, me soa a desafio.

Enfim, tem espaço para todos, mas eu estou de olho nos lugares que fazem fila atualmente e para cada brasileiro tem três outros de culinária diversa também fazendo fila na porta.
Devem me achar um traidor por não fazer propaganda de nosso terroir, mas além de cozinheiro sou um bacharéu em Marketing, lembrem-se disso sempre - fui educado a visar mercados, tendências e claro, a possibilidade de obter lucro com o que está na onda.

E sinceramente, se fosse abrir um restaurante, abriria um bistrô.
Antes que me esqueça, eu odeio gastropubs e detesto a idéia de misturar o lugar onde se bebe à o lugar onde famílias vão comer, ou é um restaurante com um bar (ambas partes divididas e demarcadas) ou se é um PUB onde pessoas vão entornar drinks e assistir seus esportes favoritos no telão enquanto comem comida rápida, engordurada e pesada para amenizar os efeitos do álcool que continuará vindo em doses paquidérmicas.

Mas as coisas estão mudando, os gostos estão mais diversificados aos poucos e as pessoas estão experimentando devagar o novo.
E quando tivermos uns sete Ferran Àdrias, será que as pessoas vão sentir saudade da comida reconhecível aos olhos ? Será possível voltar à simplicidade ?
Tomara que sim.

A saga da Comgás.

Após meses de banhos quentes/frios repentinamente, decidimos eu e a dona do apê ligar para a Comgás para trocar o aquecedor a gás do apartamento. Esta pequena terapia de choque diária tem afetado minha crescente irritação (causado também, se querem saber).

Primeiro, começou com a ligação para comprar o negócio através de uma espera telefônica que me fez duvidar que eles estivessem vendendo alguma coisa (o que se espera de uma empresa que não atende para VENDER ?) bem, recebi um número de protocolo (aliás, protocolo é uma palavra da qual até hoje não sei bem o que significa por causa dessas coisas) enfim, receberíamos uma ligação da pessoa que venderia o tal aparelho em poucos dias.
Poucos dias, traduzindo, quinze depois alguém se incomodou em ligar para saber se já tínha congelado o rabo embaixo daquela ducha (estávamos em Julho para Agosto) e já estava quase lobotomizado pela água fria especialmente se contarmos que tenho que tomar banho às duas da matina por causa do trabalho - uma pessoa que chega em casa coberto por uma camada uniforme de gordura e suor merece, no mínimo um banho decente.

Após quase um mês, os tais técnicos chegaram com contratos, formulários, e deram uma verificada na engenhoca atual; após fuçarem um pouco no antigo/atual aquecedor e se mandarem descobri que agora a mangueira de água do aquecedor pinga (muito) alagando o banheiro graças à delicadeza de um orangotango do tal técnico em examinar o troço então agora, além de banhos frios tenho um banheiro completamente alagado para enxugar diariamente como se minha vida não fosse miserável antes...

Passa-se mais um mês e nada dos caras aparecerem para trocar o aquecedor e eis que hoje, chegam dois caras da Comgás para examinar a merda de novo e me pedem ferramentas quando digo que está vazando (eles não trouxeram nenhuma) e após mexer o cara tem o displante de me dizer para chamar o outro técnico de volta para ARRUMAR o aquecedor que desejo ardentemente me livrar, que paradoxo.
Após saírem dizendo que voltariam mais tarde, percebi que o técnico tentou arrumar o vazamento com o alicate que lhe dei e agora o negócio pinga o dobro que anteriormente. O que não aguento por um banho quente ? Só faltou ele pedir para usar o banheiro e quebrar a descarga.

Estou esperando para ver o que vem por aí, detalhe :o buraco da chaminé do aquecedor novo é infinitamente menor, me deixando com um buraco e uma coifa que levará (promessas, promessas) três dias para ficar pronto.

Keep tuned, essa novela vai durar.
 
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