domingo, abril 02, 2006

Último dia !

Não tava nem um pouquinho afins de escrever mais no blog, mas tá chovendo pracas lá fora e só tá passando merda nos vários três canais de TV daqui (vide post anterior) então não tenho saída - preciso me entreter.
Na real, é mais um desencargo de consciência pois meu bebê (o micro) irá ser carregado por seres mágicos e teleportado até minha casa no Brasil amanhã (assim quero acreditar, ao invés de dois brutamontes com barba por fazer, que irão carregar meu micro amado até um caminhão imundo e fazê-lo voar dentro de um compartimento de avião)então acho que essa é a despedida derradeira de minha vida eletrônica por aqui.
Hoje foi meu último dia de trabalho - cheguei às quatro da matina como manda a empresa e fui achando que esse seria mais um daqueles domingos teta, quase nada para fazer, poucos pedidos e muita cossação de saco para meu último dia. Alegria de pobre dura muito pouco mesmo.
Os pedidos vieram estratosféricos e a quantidade de comida para repor na geladeira (esta semana os outlets estupraram minha geladeira) era simplesmente desolador... ...que porra de último dia foi esse ?
Corre daqui, corre de lá, mas a ficha de que era o último dia ainda não tinha caído, não tive tempo de assimilar durante a última semana por estar sempre ocupado ou cansado, sei lá, mas foram os últimos minutos de uma dramaticidade mexicana.
Não sabia bem o que fazer, falar um tchau geral,abraçar todos, não abraçar... ...quem quis me abraçou, quem não quis ficou de mandar e-mail, mas falar tchau para pessoas que possivelmente você nunca mais verá na vida é complicado demais, eu já devia estar acostumado mas não.
Oscar, por sua vez pôs a mão no meu ombro e disse que vai sentir minha falta (vindo dele, é o mesmo que um abraço apertado e um beijo no rosto, acreditem) pois chef não abraça e não tem emoção - a gente cozinha e odeia o mundo fora da nossa cozinha.
Na Sexta-Feira, fomos tomar umas biritas no Palace pela minha despedida, da mulher da padaria também e de mais um cara que nem lembro o nome (e que não apareceu) então o povo resolveu fazer uma "gang-bang drinking" com todos reunidos e bebendo as custas do executive Chef que faz uma baba por ano e todos esperam que pague (Amém).
Comecei a beber às três da tarde e lá pelas 8 já estava babando de bêbado - cada pessoa que me via me pagava um shot de tequila (um por um) chegavam pra mim e falavam "fulano quer tomar uma tequila com você" e eu ainda estava me recuperando da última "aonde que ele estava há dez segundos atrás, quando eu virei o último ?".
No final, consegui ir embora antes de dar um vexame e me arrastei até minha casa de onde acordei para trabalhar as três da manhã numa ressaca violenta no Sábado.
Terei mais uma noite de bebedeira com Jake, Vanessa e mais uns amigos chegados pois eles estavam trabalhando na Sexta e não puderam comparecer.
Tenho muita grana para receber de depósito de apartamento, da venda das minhas tralhas e ninguém pode me pagar antes da minha partida - agora ferrou de verdade.
Pelo menos vou receber da Skycity antes de ir embora.
Deus me ajude.

Me desejem sorte e até o Brasil.

Blog do Giovani




Mais um blogueiro na área - Giovani Cabeleireiro, lembram dele ??
Nao ?? F@d@-se, entra lah e da uma espiada para ver o que ele anda fazendo.

Blog é isso, é cooperação, é união, é propaganda enganosa gratuita - salvem os blogueiros carentes...

http://giovanibc.blog.terra.com.br/

Se quiser marcar hora, acho que dá pelo blog...

Giovani - valeu muito pela força que vc tem me dado, um grande amigo desses não aparece do nada - é preciso muita cerveja e conversa fora até chegarmos nesse estágio.

sábado, abril 01, 2006

Do que não irei sentir saudades.



Pois é, agora tenho que ver o lado bom - as coisas que precisam seriamente serem deixadas para trás.
Uma delas são as propagandas de rádio (ligado o tempo todo em todas as cozinhas que trabalhei), são péssimas, hoje mesmo ouvi uma de uma advogada oferecendo seus serviços pelo rádio (multas de trânsito, entorpecentes, delitos médios e graves, salgadinhos em geral) o detalhe é a voz da fulana : fina, estridente e tão irritante que chega a doer em meus ouvidos. Cada vez que ouço imagino essa mulher, de cabelos armados, cheios de mousse ou sei lá o que essas mulheres usam para parecer o Rei Leão, roupas com espampas floridas grandes,uma grande pasta cheia de adesivos da Minnie, maquilagem carregada e à passos largos entrando no tribunal e a cara do Meretíssimo pensando "Meu Deus ! Ela de novo NÃO !!!".
O primeiro comercial que vi na TV há três anos atrás também não é uma obra-prima (continua no ar) que compõe-se de três marmanjos gordos e carecas cantando "show your crack" enquanto takes mostram pessoas no carro olhando para o pára-brisas estilhaçado e sorrindo enquanto falam "Novus" (como se alguém morresse de alegria quando uma pedra atinge o pára-brisas) e volta para os trogloditas cantando "Show us your crack !!" algo como "mostre-nos a sua racha". Lamentável para não dizer sem senso de ridículo.
A chuva de Auckland é outra coisa da qual não gosto nem de pensar - me deprime só de imagina-la, a umidade que atravessa as roupas e a imprevisibilidade das pancadas são de um humor tão duvidoso que parece até pessoal (geralmente a chuva me pega EXATAMENTE no meio do caminho para o trabalho, ou do trabalho para casa) chego a gritar quando acontece. Digamos que a neve também não atingiu tão alto conceito em minha escala, neve é bom para esquiar e só, conviver com a maldita é outra história.
Os cabelos dos kiwis, claro que existem as exceções mas estas jamais cobrirão os atentados capilares cometidos nos salões daqui - são uma mistura de anos 80 com 70 adicionados os devidos toques de modernidade (uma tragédia) que resultam em mohawks bicolores, Mullets (sim, arrepiado na frente e compridinho atrás) desfiados all-way, cabelos pretos com as pontas extra-loiras e os tão clássicos Black-powers (que na real, eu até acho alguns legais, mas 99% poderia ter ficado nos anos 70).
O trânsito aqui, mais parece uma multidão de pessoas acima de 90 anos dirigindo entre si, vira-se para qualquer lado, a qualquer momento, dirige-se muito devagar e acima de tudo estacionarás em mão-dupla sempre, ainda que o próximo buzine e descabele-se tudo que farás é : acenar e fazer aquela carinha estúpida de "desculpa" sem mover-se um centrímetro. Só matando.
Acordar de madrugada para trabalhar também não deixará saudades - precisa explicar ?
Pessoas ?? De algumas é claro que vou ficar com saudade, de outras, digamos apenas que posso passar o resto da vida sem. Sem detalhes afinal.
Das paredes de gib (placas de gesso) que possibilitam 99% do som de chegar através e que caem se você tentar colocar um prego, apenas adeus - parede tem que ser de tijolo - se você tentar correr contra uma, sua cabeça deverá rachar e não o contrário.
Dos três únicos canais de TV (que não tem pena dos espectadores) eu apenas direi que foram úteis por falta de opção melhor (eu sempre respeito TV - amiga, amante, babá e educadora) mas sinceramente que saudades da Rede Globo, aonde os noticiários tem gráficos incríveis, os filmes são bons de vez em quando e os apresentadores não parecem terem fugido do maquiador e cabeleleiro antes de entrar em cena.
Da comida indiana disponível à cada esquina, posso sobreviver sem, obrigado, do fogão elétrico melhor ainda, Vegemite (uma pasta horrorosa de passar no pão), batata em geral (muuuito popular com... tudo), o engordurado Fish & Chips (há meses não ponho na boca), dos preços do supermercado (especialmente frutas e verduras, carne) e da falta de suco de uva decente - um sacrifício comprar qualquer suco decente por aqui. Minha maior e melhor cura para ressaca sempre foi suco de uva (não me pergunte porquê, tenho fissura quando estou de ressaca).
Enfim... ..milhares de coisas das quais poderei passar o resto da vida sem.

Agora... ...posso estar seriamente viajando...

...mas será que vou sentir saudades de odiar essas coisas ??? Hmmmmm...

terça-feira, março 28, 2006

Nada de interessante.

Bem, fora toda agitação da viagem, mudança,etc... Poucas tem acontecido por aqui.
Os amigos, no entanto têm passado por aqui para de despedir - ante-ontem, Jake chegou aqui embaixo de chuva e com três DVDs embaixo do braço (por mais que negue, a cerveja na geladeira da qual ele tem um sensor para adivinhar quando tenho) e a TV de 21" também ajudam um pouco para que ele levante a bunda do sofá da casa dele e abanque a ossada em meu sofá. Assistimos Fear and Loathsome in Vegas com Johnny Depp e Benício DelToro, aquilo é muito louco... ...leve pausa para cervejas (tinha 24 garrafas por precaução,compramos mais antes de sentar no sofá) e para uma ocasional luta. Explicando: nos degladiamos pelas coisas mais bestas na face da terra, uma vez estávamos com um casal de amigos esperando uma mesa em um restaurante japonês e pus um cigarro na boca, o que foi suficiente para ele querer um dos meus (o maldito compra aqueles de enrolar, que são mais baratos) e eu simplesmente falei NÂO só para provocar - ele ficou observando enquanto eu procurava o isqueiro e continuava "DAMN IT, me dá um cigarro" e eu com toda calma do mundo "não". Falei para ele tentar tomar de mim, ele tentava pegar da minha boca e eu esquivava, quanto mais ele não conseguia mais frustrado ficava e mais eu ria até ele enfiar um tapão na minha cabeça, o cigarro voar longe e eu pular em cima dele aos socos (o casal que estava com a gente, lentamente se afastando e fingindo total desconhecimento).
Ante-ontem, um em cada sofá, e eu falei pra ele que apenas desta vez ele estava permitido a tirar os sapatos dentro da minha casa (o odor mais forte que já senti na minha vida - o chulé do Jake) e logo depois de tirar os sapatos ele começou a querer botar aquele pé fedorento na minha cara.
"Pára com isso, tira esse pé fedorento de perto de mim" e ele continuava.
Meti um chute na perna dele, ele tentou começar a me chutar de volta.
Eu só berrava "Ya' bloody cocksucker, cunt - FUCK OFF" e ele se divertindo até eu pular em cima dele e meter uns cascudos na enorme cabeça do cretino; rolamos no chão enfiando porrada um no outro, só parou porque tive um ataque de riso e não conseguia mais me mexer. Geralmente essas disputas são divertidas, parece que tenho 20 anos de novo quando Jake está por perto (ele se recusa a aceitar que tenho 30 e não tenho a disposição dele) mas vivemos enfiando porrada um no outro de uma maneira que não aceitaria de quase ninguém. Se tivesse um irmão mais novo, gostaria que ele fosse como Jake (um pouco menos tranqueira, tenho que frisar) na verdade, o que ele vê em mim eu acho que é um irmão mais velho - sempre dando conselhos, alguma grana, um pouco de conforto do qual ele não está muito acostumado. De longe, ele é uma das pessoas que mais vou sentir falta.
Deixei ele assistindo TV e fui dormir, ele deve ter se mandado de madrugada (ele agora volta para casa em qualquer que seja a ocasião, pela primeira vez acho que le realmente tem um lugar para voltar) e ele mudou bastante desde que nos conhecemos, estou feliz por ter feito uma diferença na vida de alguém.
Ontem à noite, Ricky, Ariane e Lee passaram aqui para me arrancar de casa (só tenho saído em raras ocasiões) e me arrastaram para jantar e jogar boliche, foi divertido mas nada que se compare aos velhos tempos do boliche no CEASA com a gang, mas eles se esforçaram e eu me diverti como não havia há tempos.
Ultimamente tenho esquecido de abrir os e-mails e não tenho prestado tanta atenção ao Orkut, gasto exatos 5 minutos tentando responder os scraps e é isso, manter esse blog atualizado também dá uma certa mão-de-obra então se eu desaparecer (ou se já desapareci) perdoem a falha.
Tem sido gratificante receber o carinho dessas pessoas, a gente não faz idéia do conceito que temn até uma hora dessas.

sexta-feira, março 24, 2006

New Zealand Redux.

Três anos. Três anos se passaram e o que será que aconteceu durante ?
Em três anos, eu fui bartender, garçom, gerente de serviço de restaurante, lavador de pratos, larder chef, saucer, head-chef (ainda que um café com 20 lugares), Commi-chef. Fiz amizades do mundo todo, fiz amigos brasileiros, fiz amigos em praticamente cada lugar que estive, fui turista, backpacker, motoqueiro, motorista de campervan. Viajei de norte a sul, de sul à norte e vi muito dessa terra.
Fiz snowboard, Bungy, Riverboarding, mergulho, trekking (ok, não muito), não entrei muito no mar mesmo assim por ser congelante, comi tudo quanto é coisa nova que apareceu pela frente, me apaixonei pela cozinha asiática, cultivei meu desgosto por comida indiana, achei kebab dos deuses, tomei toda e qualquer cerveja diferente que encontrei por aí, tentei fazer o que os locais faziam - e aprendi que os kiwis vivem para si mesmos.
Vi a neve cair no centro de Queenstown, vi pinguins na ilha sul, tive uma praia inteira só para mim perto de Christchurch, conheci um taxidermista alemão lá (poxa, conhecer um taxidermista que ainda paga a cerveja não é pra qualquer um), quase fui jogado fora da Harbour Bridge em uma noite de tempestade com minha moto, dormi profundamente durante um terremoto (na verdade dois), fiz um curso de fotografia na Universidade de Auckland e um curso de inglês que eu mal frequentava.
Mudei dez vezes de casa, tive mais ou menos 21 flatmates diferentes, comprei e vendi mais coisas de uso doméstico que posso lembrar e tive apenas um lugar que considerei um lar.
Tomei vários tombos - aliás, um tombo no sentido literal, do qual desmaiei, cortei meus dedos, queimei minhas mãos, fiquei com as cadeiras roxas de fechar a geladeira com a cintura enquanto carrego caixas, fui passado para trás gerenciando uma casa em Auckland no primeiro ano, fui passado para trás quando tive que assumir um quarto no lodge em Queenstown, fui deixado em meu apartamento sem explicação aparente.
Tive momentos felizes ao ser convidado a me mudar para uma casa em Queenstown (duas vezes) e fico com saudades de pensar em quanto a vida era descomplicada por lá (até ficar terrivelmente chata).
Conheci a NZ, Austrália e Bali (mais Fidji futuramente) e me arrependo de não ter viajado mais.
Aprendi a ficar quieto, a gritar quando preciso apenas e a valorizar a ajuda que aparece quando você mais precisa - assim como aprendi também a valorizar meu espaço pessoal (aquele em que ninguém pisa, que é só seu) e não deixar que entrem e saiam de sua vida como se fosse uma porta giratória - se não for para acrescentar nada, apenas subtrai.
Testei a minha paciência, determinação, sanidade (quase por um fio), resistência e lealdade e sei que tipo de pessoa eu me tornei e posso me tornar de vez em quando, mas meus atos sempre falaram por mim e em geral, eles não mentem.
Sou incapaz de um ato maldoso ou desleal, minha consciência é eficaz a maldita.
Foram quase 100,000 kms de voô durante esses anos, uns 10000 de estrada e mais uns tantos andando por aí, a estrada foi longa e tortuosa.
Em três anos, fiz mais coisas do que fiz em vinte anteriores.
Vão ficar marcas e cicatrizes, amizades que se foram, amizades que vão ficar, situações nem sempre agradáveis e muitos momentos bons...
...e no final, tudo que resta é você, três anos mais velho e três anos...

...vividos. Eu quero mais.

quinta-feira, março 23, 2006

Provedenceas 3

Quarta-feira foi meu dia de folga.
Faxina na casa (tenho que deixar o apê limpo senão eles cobram a limpeza depois) lavanderia em geral e uma volta até Mt. Eden a pé (se imaginasse que era tão longe, não ia andando nem a pau) para achar a tal loja de facas para comprar um amolador alemão novo (ainda tô puto com essa história). Entrei na loja e ouvi as cornetas dos portões do paraíso soarem, saí com o tal do amolador (NZ$ 40,00 uma facada), dois descascadores, um zester, botões de uniforme vermelhos, uma pinça maneiríssima de tirar espinhas de peixe e mais umas lembrancinhas que achei de ocasião - foi um puta estrago no orçamento. Fora as coisas que eu queria e não tive coragem de comprar.
Enfim, f**i o extrato bancário. E pensar que antigamente eu era viciado em comprar CDs, parece que a cada dia eu acho que ainda não enlouqueci o suficiente...
Ontem e hoje eu entrei no trabalho as duas da manhã, trabalhei 24 horas em dois dias e estou á beira de um ataque de nervos, como se não bastasse a aporrinhação toda da mudança tem essa, mais pessoas para se despedir mais uns problemas mal-resolvidos na minha cabeça - quem me conhece sabe que tenho a estabilidade emocional de um saco de ratos em um porão de navio afundando então estou entre ataques de felicidade com momentos de depressão dispersos (a única coisa que eu sei é que eu quero ir embora logo, depois que se marca a passagem então, dá vontade de sumir de uma vez.
Detesto esse suspense, aliás não suporto surpresas também, tem que ter muito cuidado para não f**er com minhas emoções ultimamente.
Estou tentando não perder o bom-humor, sou praticamente o "Mr.Brightside".
Um cara da transportadora acabou de me ligar, tudo resolvido e o micro chega junto comigo no Brasil (acho que dois dias antes) então uma coisa a menos para se preocupar, ainda não sei aonde enfiar tanta tralha, talvez se eu usar no voô umas 15 calças, 10 moletons e três jaquetas com, digamos, sete peças de cada underwear talvez ajude.
Tô podre de cansado - vou cair duro na cama.

Duas semanas apenas... ...God, dê-me paciência.

segunda-feira, março 20, 2006

Providências 2

Liguei para a empresa que vai transportar meu computador para o Brasil -
"Oi, fiz a cotação e o booking online mas ainda quero saber se o volume é individual ou cumulativo, ou mais claro, rola um desconto se eu mandar mais tralha junto com o micro ??"
"Claro que sim, se você mandar mais coisas junto, tem desconto sim..."
Já fiquei todo animado com a atendente.
"Então é o seguinte, uma mala pequena com mais ou menos 20kgs, quanto rola ?"
"deixa eu ver, quantos quilos tem o micro ?"
" 12 kgs"
"Calculou o volume pelo website ?"
"Calculei, 0.108 cm cubicos"
"Isso dá 300,00 dólares"
"Tá isso eu já sabia, e uma mala da mesma dimensão"
"Aí vai pra... ....550 dólares".
"Esse é o grande desconto ? Acho que sai mais barato pagar excesso"
"O que é que vai dentro dessa mala ??"
Quis responder 10 kgs de cocaína pura, 2kgs de ecstasy e o resto em fluído de isqueiro e armas de fogo. Achei melhor não.
"Livros de receitas, algumas roupas, Cds e facas de cozinha"
"Enrola suas roupas no micro"
"Como você espera que eu enrole 20kgs de roupa em um micro ?? Nem sei se ele usa meu número aliás..."
"uhnnn.. e o que você tem nas outras malas de viagem ??"
Desta vez, quis responder duas AK 47, sete granadas e quatro manuais da Al Quaeda.
"Merdas, coisas, roupas, cuecas, sapatos, meias..."
"ahnnn tá."
"E então, dá jogo ??"
"Não".

Porque perguntar todas essas coisas se ela não pode resolver meu problema ??

Seria mais fácil construir uma jangada e atravessar o mar com minhas tralhas. Merda de vida.

domingo, março 19, 2006

Enfim, providências.

Como agora água bateu nas nádegas (sorry, não posso escrever bunda nesse blog) hoje me dei conta que preciso escolher o que vai e o que fica por aqui, não que eu tenha um patrimônio extenso mas o que se acumula de tralha em três anos não é brincadeira... ...meus amados livros vão ter que ficar (menos os de receitas que não vai dar pra repor depois) meu material de pintura e telas também vão ter que fazer alguém feliz (é de graça poxa...) e meus tão amados edredons (um de pena de ganso) são umas das coisas das quais vou chorar todos os dias por não poder carregar.
Tente resumir uma vida inteira à 64 kgs e veja como vc se sai - eu estou sendo uma tragédia.
Tudo que havia para ser vendido já era, ou pelo menos está para entrega (minha TV, DVD e móvel pelo menos e a moto já se fué) minhas facas definitivamente vão todas (comprei mais algumas coisas e reposições que posso precisar no futuro) jaquetas, blusas e moletons de montes vão ficar mesmo sendo amados e jamais esquecidos, sapatos velhos mas amados ficarão orfãos e até a máquininha de cortar cabelos não funciona no Brasil (plug e voltagens diferentes) então cesta sessão pra ela.
O micro eu vou enviar por correio, mas a voltagem também é diferente (não deve ser complicado para mudar) mas dane-se, eu só preciso dos componentes dele para traze-lo de volta à vida.
O resto é resto.

O resto só eu voltando, de mala e cuia.

Enfim - a confirmação...

Recebi a luz amigos...
Ela veio na forma de dois pedaços de papel - O recibo da STA Travel e o itinerário.
Saio daqui à uma da tarde de Sexta-Feira, 07 de Abril e chego no Brasil sexta-feira santa dia 14 à meio-dia e meio. A razão pela demora ?? O avião não vai congelar no no espaço como alguns imaginaram e nem ficaremos perdidos por uma semana no triângulo da bermudas pelo benefício geral da sociedade brasileira.
É que o avião faz uma parada em Fidji (Papeete, não era só nome de chinelo de patricinha), Polinésia Francesa, e resolvi dar uma esticadinha de uma semana só pra ver o que acontece por aqueles lados.
Chegar lá e pedir de cara qualquer drink que tenha aqueles canudos tortos e coloridos e sentar na areia da praia debaixo de um calor infernal.
Vida ruim essa hein - acho bom eu não acostumar.
Depois me preparar para cair na rotina. Deus me ajude.
Hoje roubaram meu amolador de facas alemão no trabalho - fiquei puto da cara, vai custar umas NZ$50 pilas pra comprar um novo se eu achar.
Nem tudo é perfeito afinal.

Aliás...

Mr Rogério Ragusa,
Nada me faz mais feliz do que receber suas mensagens ultimamente... ...a cerveja já está gelando é bem estimulante, mas que em três anos você tem estado por perto -

- Não tem preço. Para todas as outras coisas, existe Mastercard.

Que não compra amizade verdadeira.

sábado, março 18, 2006

Recomeçar...

É dificil um recomeço, especialmente para quem já teve muitos.
Como disse um amigo, sabe quando você passa meses e meses arrumando aquela prateleira, pondo todos os bibelôs, porta-retratos, Cds, e de repente você acha que não está legal e enfia uma bica e desmonta tudo ??
É exatamente assim que eu me sinto - derrubando uma prateleira que eu construi durante três anos da minha vida.
Quando enfim consegui quase tudo que eu queria, emprego estável, casa legal, minhas coisas espalhadas em volta de mim, segurança, eu resolvo que não estou contente e mando tudo á merda (desculpem meu francês) e lá vou eu arriscar tudo de novo por uma emoção barata... ...talvez nem tão barata, mas com certeza eu devo gostar de caos.
As razões não perguntem, eu mesmo não saberia explicar, estava há semanas de ser promovido no emprego, há meses de conseguir minha residência, a centímetros de comprar meu carro e de repente, sem aviso, eu decidi que tudo isso não valia a pena.
Vai entender...
Talvez eu tenha mesmo uma vocação para o Caos, talvez eu tenha percebido que a vida não é bem assim, talvez eu tenha apenas ensandecido por achar que novas perspectivas sejam melhores que perspectivas usadas mas... ...de que vale tudo isso se não tem ninguém para dividir o momento ??
No começo, confesso que rolou aquela básica pergunta de que estaria fazendo, enlouqueci talvez, talvez seja só uma fase e eu caia na real. Mas o bom estado de espírito em que caí me dizem o contrário - talvez eu esteja MUITO errado (é assim que os grandes erros acontecem também, saibam) mas há dois meses eu estava em contentamento para logo depois cair em miséria... ...não a miséria temporária, mas veio aquela sensação de clarividência e de repente tudo que estava complicado ficou fácil como 2+2 - eu preciso sair daqui.
Achei que fosse apenas uma situação complicada que tive, mas após passada, ainda quis me mandar e pronto.
O gozado é que, eu sei que tudo vai ser difícil, complicado, lidar novamente com estar com a família (complicado para mim, que acostumei a não dar satisfação de onde vou e o que faço - quando se é sozinho não pensa-se nisso) procura por emprego, casa, carro, Tv e dvd, um canto para pôr seus porta-retratos... ...não vai ser fácil.
Mas pensando bem, não vai ser fácil ficar aqui se perguntando o que seria da vida se eu não tivesse voltado, se não tivesse arriscado novamente.
São tantos planos e conjurações que tenho na minha cabecinha que fica difícil explicar - parece que um novo leque se abriu e que não há nada que eu não seja capaz de fazer.

Talvez eu apenas percebi que não se pode passar a vida sozinho - e sozinho é exatamente o lugar em que eu estou - não quero mais isso.

Quero sim, a minha casa cheia de amigos - se Maomé não vai à montanha...

terça-feira, março 14, 2006

Adeus galopeeeeeeeeiraaaaa...

Hoje fui vender minha já empoeirada moto, após quatro meses (ou mais) parada, a desgraçada quase que para me afrontar pegou na primeira só para despedaçar meu coração - que dó, que pena da minha companheira mas a vida é assim mesmo, chega-se a hora de ir e seguimos em frente. Cheguei na concessionária da qual comprei ela em primeiro lugar, o cara olhou, olhou, e perguntou quanto eu queria nela e já mandei NZ$ 1000,00 de cara para ver o que acontecia, ele mandou setecentos e nem desconfiou que estava vazando óleo, enfim, peguei a oferta e me mandei o mais rápido possível com o cheque na mão.
Todas as lembranças das viagens, acampamentos, tudo literalmente vieram à tona quando eu dei tchau pra minha mulinha.

Depois eu mando uma foto pra eles de nós na ilha Sul, a 5000 kms de Auckland.

sábado, março 11, 2006

Choque.

Cliquem no titulo acima e vejam os numeros (principalmente no final, o aumento de 1999-2004), e um choque...
Se nao abrir ai em cima, cole e copie esse endereco http://www.seade.gov.br/produtos/spdemog/nov2005/Sorocaba/Ibiuna.pdf

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Carnaval... é tudo Globeleza !!!

Caramba, é carnaval no Brasil e eu aqui na crise da meia-idade avançada !!!
Porque é o seguinte: eu não sou o maior fã de carnaval que existiu, até gostava por ficar cinco dias longe do trabalho e por poder beber sem ter uma desculpa social pra isso - mas de resto é tudo Panis et Circus, brasileiro esquece da vida no carnaval e nem lembra que CPI existe, nesse momento tá tudo parado no Brasil porque somos exóticos (já cansei de ser chamado assim por aqui também, brasileiro é exótico, se fode e ri ainda por cima), claro que gosto de ver o povo feliz esquecendo das vidinhas que levam todo dia, na verdade nós até precisamos disso para fazer a vida ter sentido.
Mas, pode entrar nos sites de notícias e ver se o Lula, CPI estão nas news, nada crianças, todos os pecados são perdoados no carnaval e uma agenda no governo deve estar programada para o carnaval : vamos aproveitar o tempo fora da mídia e voltar com o quê ???
Abre o olho moçada !!!
E usem camisinha please...
Pecado e carnaval. Até dá saudades...

PS:- Entrem em www.muiedomeidomato.blogspot.com ou peguem o link do banheiro feminino do uol, virei fã há um ano atrás e viciei...

sábado, fevereiro 25, 2006

Moral da história I

Hoje de manhã, estava com Oscar tomando um café durante nosso break.
Oscar é o maníaco da cozinha, tenho vindo ajuda-lo as duas da matina todos os dias com convenções ( a praia dele). Quando comecei na Skycity ele infernizou minha vida e eu simplesmente odiava o cara.
O tempo passou, ele amoleceu e viu que não estou lá para brincadeira - me mantém até mais tarde trabalhando para ter companhia.

Ao ouvir que estou sem flatmates, disse que quem sabe quando a filha dele voltar de não sei aonde, faça a cabeça dela para morar comigo.

Tentando me arrumar com a filha dele - esse homem já tem um lugar no meu coração.

The sweetest thing.

A casa vazia.

Acordei, o despertador berrava alucinadamente e tentei desligar às pressas sem me lembrar que estava sozinho.
Olhei em volta, tudo escuro, aquela escuridão que te faz cerrar os olhos igualzinho quando você está embaixo do Sol, a escuridão revela o que o dia escondeu ofuscantemente, é noite fechada e estou tateando meu caminho até o banheiro e tudo está ainda confuso em minha cabeça, não sei o que se passa e menos ainda por que estou de pé à uma da manhã. Leve contrito cerebral, o motivo é de que eu tenho que trabalhar pois o setor de convenções está pela hora da morte e precisam de heróis como eu (odeio ser herói - eles morrem primeiro, o cemitério está cheio deles) e a casa vazia ainda não entendi direito, preciso de mais alguns segundos.
Só as coisas que alguém não quis estão aqui, cabelos, traços de vida agora parecem fazer parte de uma mórbida,orquestrada e desorientante cena.
Vesti o que encontrei à frente (pelo menos eu passei a roupa ontem) e agora sei o porquê e a razão de estar sozinho, bem, sei não, mas imagino várias possibilidades que não satisfazem e penso também em ligar para o trabalho e dizer que estou doente - mas essa é uma daquelas coisas que penso quase todos os dias e não faço - saio ás pressas, corro enquanto ouço meu MP3 player à toda altura para silenciar meus pensamentos e em parte funciona mas tem essa partezinha do meu cérebro que ainda teima em pensar em coisas que eu evito. O dia seguiu com muito trabalho, e eu ainda pensava na casa vazia, nada se movia ali, talvez as persianas ao vento mas de resto tudo é inanimado, os móveis, as portas e janelas, os armários... ...tudo está a espera de alguém para colocar movimento e cor e eu não estou lá - sinto pena de minha casa até mas tenho que trabalhar.
Ao final do turno estou esgotado, moralmente e fisicamente, me arrasto até a rua e peço um café em copo descartável enquanto ando (MP3 à toda) não faço idéia do que vou encontrar em casa, talvez a casa esteja puta da vida comigo e tenha feito uma reviravolta, minhas coisas estejam espalhadas por todos os lados e a porta da frente não abra, talvez esteja em chamas, talvez o silêncio seja ensurdecedor.
Chego no portão do prédio (a casa não é uma casa, é um apartamento) e fico com receio de entrar, não sei mais o que vou encontrar, subo o elevador com receio e esperança de que alguma coisa tenha se movido ali mas quando abro a porta percebo que a casa está do jeito que deixei - escura, imóvel, silenciosa.
Entro com um suspiro e um grito : Querida, cheguei !!!! Logo após falo comigo mesmo "esqueci que não sou casado".
Tudo está do jeito que deixei, escuro até, abro as persianas e janelas e deixo o vento passar e percebo que o movimento e as cores voltaram em um flash - ela está aqui esperando por mim, aconchegante, viva e chutando.
Limpo os restos de vida deixados para trás, para não me nivelar ao que está nos cestos de lixo principalmente, faço uma rápida limpeza e me atenho em fazer minhas coisas de praxe : escrever, comer, lavar a louça, etc...
As coisas se encaixam novamente, estou sozinho mas em boa companhia - minhas coisas estão espalhadas à minha volta, retratos, roupas, livros, me lembram que tem uma vida ali sim. Olho o celular (que nem lembrei ou não quis pegar de manhã) e tem uma mensagem de um amigo de Queenstown, vindo para cá - que bom ter uma visita.
É domingo e deve ter alguma coisa legal passando na TV, vou fazer pipoca e relaxar...
Os problemas eu resolvo amanhã, de alma nova e descansado, quando é que foi a última vez que eu tive tempo para não me preocupar com nada ?
Estou agora exorcizando alguns demônios, como sempre, mas estou fazendo isso na segurança de meu lar - e é isso que eu preciso.
Eu preciso de um lar, não uma casa, decidi que nada pode me atingir aqui, na segurança de meu LAR.

Amanhã eu ligo para a imobiliária para avisar que estou me mudando - minha casa é qualquer uma, mas meu lar eu pretendo construir - ainda que sozinho.

Where everybody knows your name...


Eu ouvi uma vez que quanto mais nós envelhecemos, mais precisamos das pessoas que conhecemos na juventude - não poderia concordar mais.
Seus amigos sabem tudo sobre você, seus males, seus prós e contras, suas manias, seus ódios de estimação, as coisas que você ama, o que se passa em sua cabeça quando você está com aquele certo olhar de olhos semi-cerrados em direção ao nada, quando você diz não quando tudo que queria dizer é sim. Eles sabem, acredite.
Envelhecer junto deles é delicioso, saber quem casou, quem separou (e levar para a farra imediatamente), quem teve filhos ,quem ainda te liga para saber as novas e contar coisas estúpidas como o tombo que levou em uma escadaria sabendo que você vai se deliciar com a imagem (amigo também sacanea, e por conhecer você tão bem faz com precisão e vice-versa), entrar em sua casa e abrir a geladeira... ...tão bom isso, e faz uma falta daquelas quando eles não aparecem.
Também têm um talento nato em relevar, quando se é muito amigo, ninguém é perfeito o tempo todo e ninguém é santo - todos temos nossos próprios demônios ali, esperando a hora de sair em disparada ao encontro de, bem... ...quem estiver à frente.
E nessas horas, claro que não tem madre Teresa que aguente, mas quando tudo volta ao normal e você arrependido tenta agradar, e consegue, que alívio, que coisa boa ter essas pessoas em torno de você mesmo que você tenha que gastar um salário mínimo em cerveja, vale a pena o investimento que tem esses retornos garantidos.
Meu projeto para a velhice é uma casa cheia de amigos, indo e vindo, parando suas vidas para me dar um pouco de atenção nem que por minutos, trazendo uma coisinha para beliscar ou demandando comida quando chegam de mãos abanando, não importa.
Mesmo de longe, mantenha-os perto.

Digamos que eu tenha pensado muito em vocês.

PS: Pats, você me lembrou o que é ter amigos. Daqueles bons e dos velhos tempos.

terça-feira, fevereiro 21, 2006


pratinha...

Visita da Pats.





Visita da Pats, nos com os cabelos prata - pura falta do que fazer.

Skycity




Caroline e Maria, Oscar mostrando o tamanho da faca dele e William, um dos aprendizes.
 
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