sexta-feira, novembro 30, 2007

Boneca para cães




Sim boneca inflével para cães, imagina - tem um buraquinho atrás

Olha mamãe, um brinquedo de apertar !!
Filhinho, filhinho... nãoéumbrinquedodeapertar !!!! Oh meu deus...

O mundo já foi assim


Uau ! As gengivas também !!!

Da série O mundo já foi assim...



Já imaginaram

Vintage






Sou viciado em coisas antigas mas nem tanto - achei umas imagens que unem vintage + humor negro (imagina se não fosse a minha cara), então estou usando uma maneira mais personalizada de ofender e escandalizar as pessoas do jeito que eu gosto...

quarta-feira, novembro 21, 2007

O que será do leite.


Já que estamos falando de Brasil, vou aproveitar para digerir a lactose.
Fora o trocadilho (Leite, meu sobrenome,nunca gostei mas meus amiguinhos de escola se deliciavam com isso e a minha cor transparente), sacanear o leite é simplesmente o fim da rosca !! Água oxigenada, soda cáustica e o caramba (fora o tanto de água adicionada) pra ter certeza que nossas crianças já cresçam desconfiando até da sombra, enquanto esperam na sala do gastroenterologista para tratar uma úlcera.
E o que mais me preocupa, nenhuma empresa como as grandes por aí (tipo a Parmalat,Nestlé) anunciou nada do tipo "O nosso é puro, compra a gente, bebe a gente" - sinistro.
Eu, por coincidência do destino, gosto de leite de soja, um dias as fábricas vão me ligar e perguntar se era eu mesmo este anos todos comprando - mais um trocadilho o Leite não toma o leite (nem meu irmão gosta também), não que eu esteja me sentindo menos chocado ou lesado por isso, mas deve ter gente pra caramba por aí passando mal achando que era o álcool e era a merda do leite que estava matando-os.
Depois teve o lance dos queijos (que são feitos de leite, certo), não pode comprar tal, depois virão as paçoquinhas (me dá até medo de pensar no que pode-se adicionar ali), depois será o que ? Filhos das Putas, vocês não precisavam ganhar tanto dinheiro assim, bastaria vender apenas o que prometem.
Lembro de vários outros casos, como os da balinha Van Melle com cocaína (?)que sinceramente não acredito que alguém vá gastar tanto assim com uma sacanagem, da pinga com metanol, do café com pó de serragem e por aí vai.
Vou me mudar para uma floresta, viver de caça e mascar folhas pois não confio mais nas indústrias, supermercados, vendas e padarias (tem o tal do bromato no pão) não senhor... ...vou caçar aves e peixes para subsitência, fazer meus remédios de ervas e andar por aí descalço.
O celular pode causar Câncer no cérebro, a TV radiação e me cegar, as linhas elétricas liberam ozônio em quantidades paquidérmicas, o computador emite pulso eletromagnético (sei lá o que isso causa), enfim, só sairei de casa em uma armadura de chumbo (que também deve ser tóxico).
Tudo isso, começou por causa do leite.
E, com tudo isso, me pergunto, o que será dos Leites, eu e meus pequenos futuros Leites, será que vamos sobreviver em um mundo desses ?

terça-feira, novembro 20, 2007

Polititica.

Por onde começar - talvez pelo Lula nunca saber nada (ele não tem internet e TV a Cabo, nem aberta, acho que ninguém tem no plenário também), pelas CPIs que resolvem TUDO sem fazer NADA, talvez pelos eleitores que não sabem votar, ou poderíamos também discorrer um pouco sobre qualquer prefeitura local que tornou-se um mega-cabide de empregos, não importa, cada vez mais sentimos o fim se aproximando.
Calma lá, ainda não disse o fim, e qual o sentido dele.
A tendência do que não pode piorar é sempre a de melhorar, quanto mais atrevidos e descuidados nossos políticos agem, mais e mais o povo pode se conscientizar da merda (SIC)toda que está rolando diariamente em nosso país. São milhares de páginas nas revistas, com gráficos coloridos, fotos e tabelas com quem roubou o que, quem favoreceu quem, o quanto perdemos com cada casa, lancha e iate comprado às nossas custas - vou ser direto : eu quero a revolta, guerra civil se necessário - tenho fé que ainda o povo irá as ruas queimar estas casas, invadir fazendas de acres, jogar Mercedes Benz caríssimas de cima de pontes e fazer igualzinho fariam com um ladrão que roubou a sua própria casa e você descobriu, ir até lá e queimar tudo no chão se preciso, não que você pegue de volta mas só para vagabundo descobrir que se não é dele, não poderia estar com ele e pronto.
Imagina que show, uma enorme fogueira na frente do planalto onde atiraríamos Mont Blancs, Balenciagas, Títulos de ações ao portador, Dólares, Rolexes e Cartier e deixar claro que o que queremos não é dinheiro, não é esmola, queremos é honestidade.
Não queremos as bugigangas dos ricos, queremos é que eles parem de comprá-las com nossos três ou quatro meses de trabalho por ano que são precisos para pagar os impostos (se bem que iria ser divertido ver a gari varrendo a rua com um lindo colar da Tiffany's) e simplesmente mandar as crianças para as escolas decentemente equipadas, entrar em um hospital público sem o medo de sair com um parafuso em cada lado do pescoço, andar pelas ruas de mãos dadas à noite sem ter a sorte de encontrar uma bala perdida (nunca é perdida, alguém sempre encontra), sem pagar 15% de seguro sobre o valor do carro, sem muros, grades e lanças pois os presos somos nós.
A lista é longa e iria levar dias para descrever.
Enfim, parece que estamos chegando ao fundo deste poço, se alcançamos o fundo não deverá haver como descer mais, a hora está chegando, prestem atenção - os brasileiros chegarão ao ponto de tomar uma decisão, atitude ou seja lá o que for mas eles não nos deixarão outra saída pois até a saída pelo aeroporto anda complicada.
E aí, poderemos curtir o carnaval, o futebol (sem CPI), as bundas, a novela sem nos preocuparmos tanto. A obrigação estará feita, para podermos ter diversão.
Até lá, temos que nos contentar com as sobras da corrupção, olha que bosta.

Sabe porquê a revolta ? Porque um delegado da Justiça Federal disse que a Violência e o crime custam apenas 10% dos prejuízos causados ao país se comparados à corrupção.

Quem é o bandido agora : os caras da favela, ou os de terno Armani na Mercedez ? De qual você teria mais raiva ?

segunda-feira, novembro 19, 2007

Juréia


Passei o fim de semana em Juréia.

A empolgação da praia, a areia branquinha, os guarda-sóis coloridíssimos, os drinks gelados à beira-mar... ...esqueça tudo isso, sou eu que estou contando então claro que nada disso rolou.
Chegamos na quarta-feira à noite, o tempo estava pra lá de duvidoso e a estrada (de terra batida) parecia mais um rally, socos, solavancos, poças gigantescas e enfim chegamos à tal da balsa, horas depois, cansados e em busca de nossas merecidas férias.
O frio era congelante, o vento cortava nossos rostos e a garoa molhava nossas roupas, incessante, impiedoso, estavámos em plena Sibéria dos turistas.
No sábado, fomos até as pedras (reserva ecológica) e assistimos frustrados nossos isopores voando, nossos carros se enchendo de areia (nossos olhos também) e conseguimos ficar exatos cinco minutos até que alguém de juízo perfeito sugerisse nossa retirada estratégica até o primeiro boteco à beira-mar disponível.
Nem preciso dizer que Domingo (o dia de ir embora) foi de um Sol radiante e calor estafante para ajudar as três ou mais horas no trânsito de volta, que aliás, foi de quase cinco horas - se tivesse um rifle teria matado uns dez, pelo menos.
Ultrapassagens impossíveis, impaciência, carros quebrados, um dia de fúria.
Quando cheguei em casa, liguei a TV e comi meu sanduíche, pensei - isso sim é férias.

Verão Brasileiro - Senhores, clima tropical = chuvas no Verão. Somos abençoados.

terça-feira, novembro 13, 2007

Santos - que me ajudem...


Olá a todos (os poucos leitores que me restaram, quero dizer...);

Semana passada estive em Santos para obter meu certificado STCW (acho que a sigla é esta) que consiste em formar idiotas como eu em tripulantes de navios com competências digamos assim... ...úteis. O curso havia sido cancelado pela marinha em cima da hora e por livre e espontânea pressão das operadoras foi aprovado de novo - resumo : praticamente um dia antes fomos avisados que iria rolar, já estava naquelas de que saco, aqueles cursinhos no quais arrancam dinheiro de você para ensinar absolutamente porra nenhuma (SIC), principalmente sendo obrigatório para pessoas que como eu, não tem mais saída a não ser se enfiar em um porão de navio por seis ou mais meses.
Primeiro, devo frisar que eu não conhecia Santos, a Avenida da Praia é coisa de primeiro mundo, limpa, arborizada e cheia de gente e prédios bonitos, já o restante da cidade... ...é como se o Rio de Janeiro tivesse vomitado em Ubatuba, suja, feia e com muito concreto. Consegui uma pousada (a Caravelas) na última hora, ao módico preço de R$ 80 a diária (com Café da Manhã) em um lugar que julguei perto do curso, a atendente do Hotel se mostrou muito eficiente e simpática, fiquei feliz com a decisão, era um cliente satisfeito.
Ao chegar de noite, consegui achar fácil o lugar - a pousada ficava em um prédio antigo da Orla, estacionei o carro na porta e fui fazer o check in, um senhor baixinho e com cara de poucos amigos me atendeu, me passou uma ficha da Embratur para preencher dizendo apenas para assinar embaixo (sem preencher os detalhes) e por mais solícito que eu fosse, ele não sorria NUNCA - apelidei-o de tropeço, o mordomo da família Addams. Subi ao quarto (após estacionar o carro EU MESMO e deixar as chaves) para descobrir que o lugar é de certa forma um pardieiro (limpo, um pardieiro limpo) mas pelo menos tinha TV a cabo e nem sinal de baratas, os móveis eram iguais aos da casa da minha avó, tudo rangia e a cabeceira da cama cada vez que eu encostava a cabeça prendia meus parcos fios de cabelo.
Manhã seguinte, acordei e fui tomar café, tropeço ainda estava por lá com sua simpatia contagiante (meu bom-dia ficou no vácuo, mas nem liguei pois não sou gente de manhã) e uma simpática garçonete me atendeu (ficou simpática demais e não parava de falar - não é culpa dela, como disse não sou flor que se cheire pela manhã) e resolvi colocar meu Ipod nos ouvidos enquanto degustava meu nada Continental café.
Digamos que o custo-benefício da pousada seria válido se custasse por volta de R$ 50,00 pois é quase o valor de um IBIS ou Flat em São Paulo, mas dizem que tudo à 500 mts. do mar valoriza, menos o seu passe.
Peguei o ônibus lotado e consegui parar no ponto certo (seis kms depois, esse era o lugar perto) cheguei à escola sem muitas expectativas e fomos logos postos em uma sala de aula que, graças a Deus tinha ar-condicionado, a aula era sobre sobrevivência no mar, um belo prospecto para pessoas que iriam passar um mínimo de três meses dentro do navio. Aliás, o curso inteiro é praticamente sobre tragédias marítimas.
O curso transcorreu bem, apesar de longo (onze horas) deixei a sala às sete da noite, pensando o que fazer para me distrair - resolvi voltar caminhando pela Avenida da praia. No começo, era só alegria, comprei uma latinha de cerveja e fui andando, vendo as pessoas correndo, circulando, conversando, as lojas (caríssimas), comprei mais uma latinha e estava todo satisfeito e contente com minhas férias sem férias. Meia hora depois, a caminhada já estava um pouco frustrante, o calor e a umidade começaram a incomodar, a camisa grudada no corpo, a cerveja entrando em ebulição, parei comprar outra e aproveitei o ar-condicionado do Pão de açucar para me refrescar. mais caminhada, nada de chegar, continuei em minha árdua missão de chegar ao hotel,estalagem, pousada, ou sei lá o que chamam aquilo.
Uma hora depois, parecia que eu estava chegando de São Paulo a pé, a roupa com aquela indefectível marca de suor, a mochila pesava uns 300 kilos e meus pés já começavam a dar sinais de cansaço, as pessoas corriam bem no meio do caminho, a maldita maresia já começava a se acumular em meu rosto e cabelo e eu já havia decidido que iria me aposentar em Campos do Jordão, beira-mar nunca mais.
Cheguei na pousada de mau-humor e intimei tropeço se naquela espelunca eles vendiam cerveja em lata, sem muita euforia ele foi buscar duas latas de Itaipava (Heineken nem pensar) que ao menos estava gelada - entrei em meu quarto, deitei um pouco e depois da segunda lata a vida começava a fazer sentido de novo.
De ânimo renovado, banho tomado e nada para fazer resolvi sair para tomar alguma coisa - escolhi o primeiro quiosque pé-sujo e pedi uma caipirinha de limão (na verdade, caipirinha TEM que ser de limão, o resto é perfumaria) e como era o único cliente do rapaz, recebi uma de mais ou menos 500ml. com direito à música flashback dos anos 80 (o cara ainda tentou me vender o CD que estava tocando), ao final da caipirinha já estava ficando um sujeito simpático (eu e ele). Deixei o simpático e fui á Lanchonete quase em frente à pousada para ouvir um som na Jukebox que tinha lá, pedi uma cerveja antes de ir embora. Quatro garrafas de cerveja depois, estava disputando a jukebox com um velho louco, cada vez que eu punha uma música, ele ia lá e punha dez e ficava me encarando - cheguei ao lado dele em uma delas e perguntei se ele estava me paquerando - ele sumiu, e pude enfim, ouvir uma música em paz. Voltei cambaleante ao hotel, pousada,estaleiro, cocheira, rosnei para o tropeço que veio abrir a porta com a disposição costumeira e fui dormir.
Acordei, já com o Ipod no ouvido e fui tomar café sentindo os efeitos do álcool ainda vívidos na cabeça, nem Deus me fazia entrar naquele ônibus abafado - iria de carro. Cheguei no curso, me sentei e pude experimentar a ira de litros de cerveja contra uma única e inocente caipirinha de limão em meu estômago, contive a ânsia várias vezes durante o decorrer do dia. O grupo de pessoas na classe era legal, disso não tenho reclamações, e resolvemos agitar um choppinho no final do dia.
Seis torres depois, estava apenas meio caminho alegre, com uma azia incrível e ainda assim me desloquei à outro bar para as saideiras. Cheguei ao Hotel com uma pusta azia e fui dormir.
Último dia, última parte do curso (primeiros socorros) pude contemplar a fragilidade humana em todas as suas facetas, crises convulsivas, fraturas, intoxicação, descobri que tudo faz parte de uma supostamente agradável viagem de navio, olha que legal, tipo... ...o curso é para as pessoas terem certeza se realmente querem embarcar naquela arapuca flutuante e cara. O professor era um tanto quanto... ...ambivalente, repetia sempre a frase "vocês não sabem isso...". Se nós soubéssemos, afinal, porque raios estaríamos fazendo um curso de R$ 400,00 cacete !!
Tudo terminado, ainda dei carona até São Paulo para quatro guias da CVC, que por sinal, adorei. Agora só resta a ansiedade pela entrevista no Navio dia 13 de Dezembro, Deus me ajude. Não vejo a hora de rebatizar este blog pela terceira vez, o primeiro nome era "Ninguém merece esta New Zealand", para depois passar para Tripping e espero, "Ninguém merece este Navio" ou similar.

Rezem por mim - e ALTO. Resta saber se o Navio merece ter eu por perto.

quarta-feira, novembro 07, 2007

A vida de carro e celular.


Esta semana fiz uma coisa da qual posterguei até o máximo;

Reuni todos os e-mails, textos e blogs desde 2003, do período da Nova Zelândia até hoje e um dos primeiros foi "essa vida de carro e celular" no qual relato a total independência destes dois artigos de luxo (hoje em dia nem tanto, qualquer Zé Mané tem um dos dois) em minha vida, particularmente.
Desde que voltei, já tive um celular roubado, dois comprados (um quebrou e precisei de um quebra-galho) e aparentemente o avanço que isso trouxe à minha vida foi ZERO.
Celular é, como dizem um mal necessário, as pessoas podem te encontrar no meio do teu almoço (uma dádiva) ou no motel traindo, olha que conveniente essa modernidade, a câmera do celular é a famosa câmera da sacanagem (não tem outra utilidade a não ser te pegar no flagra).
Agora tenho um LG 320m, tira retrato, toca musiquinha e faz sabe-se lá mas o quê, pela módica quantia de R$ 650,00 ele faz de tudo, só para fazer e receber ligações que ele não presta - e eu estava esperando o quê - por esse preço só faltava o tal do aparelho te fazer sexo oral. Se bem que até nisso eles devem estar pensando.
Enfim, o tal do celular comprovadamente mais me incomodou do que ajudou, cada vez que você vai sair de casa, tem os documentos para carregar (RG, CPF, Cheques, cartão, dinheiro cash) cigarros, isqueiro, chaves (carro, casa, escritório), o celular, o carregador, etc... Já é quase uma mala, e ai de você se a bateria acabar - o meu NUNCA recebe ligações a não ser quando está desligado, aí aparecem 2500 mensagens da Claro (que não funciona) dizendo que o mundo estava tentando se comun icar com você (aí começa a paranóia, será que era uma oferta de emprego multimilionária, sexo sem compromisso, seu cão em alguma emergência)... ...mensagens de texto então, são as melhores. Eu simplesmente não consigo decifrar "o q vc vai fzr + tde, vms fzr alg kza - me irrita profundamente a matança cruel e bárbara do idioma através dos textos. Se bem que escrever naquele tecladinho sem ter os dedos de uma pianista profissional parece uma tarefa de reality show.
Do carro, será que eu realmente preciso falar...

Um carro, dizem, é uma família - precisa de carinho, atenção, banho, investimento, etc... ...desconfio que quando o carro passa da condição de família ele entra na condição AMANTE, gasta o seu dinheiro sem dó,nem pena. Nada contra, adoro a liberdade proporcionada por ele, além do que, para quem mora no Brasil e em São Paulo (no estado de, quis dizer) ele se faz totalmente necessário para trabalhar, viajar e viver. Não deixe a vida acontecer sem você, dizia o reclame.
Agora... ...as horas de manutenção, lavagem, e demais mimos te deixam par a par à qualquer pai atencioso ( e ai de quem encostar naquela pintura lustrosa). No meu caso, o carro sofre atentados semanais, um riscão ali, um amassadinho aqui, de repente algum pombo tem uma diarréia e lá vai o pai preocupado correndo atrás do filho, com paninhos, cerinhas, cheirinhos, etc... ..para mim, meu carro já virou adolescente e pode se cuidar sozinho, faz um barulhinho, reclama aqui, ali, mas no fundo eu sei que ele está bem. Apenas empurre as milhares de bugigangas jogadas ali e sente em um cantinho.

Na verdade, esta foi uma re-avaliação do que havia dito, só que apenas por outro ângulo e querem saber ?

Eu não poderia estar mais certo.

Segue o original.

Voces nao sabem como faz falta ter um carro nessa terra...

Auckland e uma cidade ate que pequena, mas por um destes acasos do destino eh espalhada e ficou decidido que no centro se trabalha e nos suburbios se mora.
Ontem, comecei a trabalhar em um cafe em Takapuna Beach,uns tres ou quatro kms de casa – perfeito. No sabado ao voltar da balada (as 11:00 sai o ultimo onibus para minha casa,bem entendido que a tal balada dura pouco pra quem nao tem carro) descobri uma coisa que mudaria os destinos da minha vida - aos Domingos o onibus so passa (o primeiro) as 9:40hs da manha, sendo
que a maioria das pessoas honestas e limpinhas (sim,aquela gente que vc ate ja ouviu falar sobre,existe) como eu entra as 9:00...  e agora ? Agora sao 4km de caminhada aos sabados e domingos.  Acordei, peguei meu uniforme preto e me mandei para a tal empreitada (trabalho no bar,lavo louca e faco os cafes entre servir drinks dos quais soh posso sentir o cheiro) e no caminho pensei em que falta fazia meu celular, para mandar uma mensagem, jogar conversa fora, etc... 
Bem, no caminho existe uma feira (na verdade em frente ao meu trabalho) um open market, diria,e aproveitei para dar uma olhada no que tinha de bom. Se estivesse de carro, chegaria tres minutos antes do trabalho e nao teria tempo.  Como ainda faltava mais de uma hora para entrar no trabalho, olhei o que tinha de bom na feira e sentei para ler um livro ate a hora chegar.
De repente, vem aquele cheiro dos deuses, pao fresco, bem atras de mim - uma padaria, daquelas de filme, pequenas, me convidando para a felicidade.  Sai da padoca saboreando meu pao quentinho (coisa rara por aqui, ja que so se compra pao no mercado, e daqueles de pacote).  Ate que nao foi tao ruim assim nao ter ido de carro.
Apos o trabalho, 500 copos lavados por minuto, setenta e sete crianças berrando pela sua Coca-Cola sem gelo, mas com limao, quatrocentos cafes f/w (Flat White, fui descobrir :cafe com leite mais do que ordinario com nome fresco), muitos muffins depois, estava livre para voar e ainda eram 1:00 pm !! Como sabia que uma galera estava indo para Mission Bay (praia) pensei sinceramente em aproveitar meu Domingo. Segundo um amigo, apos atravessar a ponte de North Shore, ficava
a uns tres kms, dava para arriscar uns 40 min. a pe, e claro - tudo pelo social.
Comecei andando pela cidade, vi alguns harbors, tudo muito legal. Apos uns quatro km, nada de ver onibus ou a tal da mission bay.  Andei, andei e andei e nada.
Apos uns 5km, percebi o quanto estava ferrado, mas continuei pois quem anda 5 anda 10 nao e??
Apos um hora, ja começava a amaldiçoar a falta do carro, enquanto via os asiaticos (90% da população aqui e da asia) passando em seus carroes esporte e amaldiçoava cada um deles, eles passam anos aqui estudando, tem carro, celular, laptop e nunca precisam ganhar um tostao, alem de ficarem pendurados na internet da Universidade, estes filhos da puta – adoro eles, mas apenas em suas quitandas, pastelarias e lavanderias e trabalhando para mim, sem saber falar uma so palavra de portugues. Se um deles olhasse torto para mim enquanto estava andando feito uma mula de
padre, eu juro que voava na carotida do maldito.
Visto que o meu humor ja nao estava aquelas coisas,continuei com a famosa teimosia brasileira (ah,
brasil, vc me mata) e fui em frente, ja tendo um principio de insolação e um enfarte.  De repente,
enxerguei uma barraca daquelas de canto de estrada vendendo morangos,olha que coisa boa, talvez
estivessem gelados, etc...
Ao chegar na barraca, a atenciosa senhora disse que nao tinha mais morangos e me ofereceu Feijoas, uma frutinha verde de casca dura e parecida com um figo da India (sem espinhos), apos ela me dar uma para provar,comprovei que a danada da fruta era boa pacas.
Comprei uma sacola e fui comendo, pela calcada, que nem criança. Se estivesse de carro, não teria
descoberto esta delicia que eh feijoa.
Cheguei em Mission Bay, dei umas voltas, encontrei os amigos,e tudo perdeu a importância. Naquela hora eu pensei em ligar para alguem, mas para quem, se não conheço quase ninguém? Ate que não e nada mal estar sem celular, afinal,e a unica maneira de ser achado em qualquer parte do mundo, a qualquer hora, não se pode mais nem trair hoje em dia por causa deste pequeno tirano, o celular que pede para ser carregado com carinho, alimentado por créditos, e ainda por cima
facilita as pessoas que você não quer falar, a te ligarem bem no meio do filme - olha que delicia.
Peguei uma carona com um amigo na volta, e pensei no cartão de credito que não vou ter que pagar (cortei com uma tesoura) e também na social que nao vou ter que fazer, aqui, posso andar com um cesto de frutas na cabeca que ninguem vai notar, ou saber de quem se trata.
Na minha homestay, tenho paz total, a geladeira sempre cheia, o telefone tem secretaria eletrônica para não perder um so recado...  ...se bem que abrir a geladeira e nao achar nunca,nunca, um bolo de fuba a toa, ou saber que tao cedo nao tera uma mensagem na secretaria de um amigo que esta te convidando praquele chopp, e meio chato, mas tudo tem o seu preco, ate a paz.  E saber que vc nao pode pegar teu carro, ir ate a casa de alguem onde vc abre a geladeira pra ver o que tem de bom, liga a televisao e joga conversa fora, tambem e um pouco frustante.
Ahhhh, essa vida de carro e celular me mata.

terça-feira, novembro 06, 2007

E agora :

Ok, quase dois anos de Brasil, quase nenhum post, quase nenhuma grana, sem emprego e ainda achando tudo muito estranho.

Estou tramando minha saída de emergência em breve, só posso adiantar que será pelo mar (ainda que a nado), mas pelo menos mais um verão brasileiro está à vista - o que não é nada mal, pois posso me preparar para meses e meses sem ver a cara do Sol.

Vamos retomar de onde eu parei.

Onde será que eu fui parar mesmo ?

segunda-feira, novembro 27, 2006

Como absorver impacto.

Certa vez, meu head chef disse que eu era ótimo para absorver impactos : poderiam cruzar 150 comensais famintos pela porta e desde que eu estivesse por perto, no problem, ele sabia que eu iria me virar, gritar, correr ao restaurante vizinho emprestar salada e fazer centenas de sobremesas (resumo: me estressar por ele) - ganhei o apelido de "reliable Ricardo" alguma coisa do tipo "confiável Ricardo", até aí, eu já com a bola cheia já estava me achando a última bolachinha do pacoteç até que veio a conclusão - "Você consegue por ser levemente retardado com toques de demência". Não sabia como reagir a isso.
Atualmente, eu não só concordo com isso, mas tenho um certo orgulho do fato de ter problemas mentais quase sérios, me poupa de baques gigantescos às vezes, simplesmente ligo o foda-se e deixo minha consciência nocauteada (às vezes por àlcool, o que funciona em alguns casos) mas apesar de parecer canalhice, atesto, é simplesmente a praticidade de saber que não se pode fazer nada em dado momento.
Se alguém não acredita em você em qualquer situação que seja, por mais que você esteja falando a verdade, simplesmente esqueça o assunto. Quanto mais tentar convencer mais vai parecer mentira.
A outra grande utilidade dessa cara-de-pau é que eu poderia escrever um livro intitulado "Como dar más notícias em três lições" - esse trampo sempre sobra para mim, por mais que tente me safar.
Porque estou falando tudo isso ?
Sei lá, mas ultimamente comecei a reparar o que estar cercado na maior parte do tempo por gente que não conhece;se importa fez comigo nos últimos três anos. Espero tudo de todos, e nada mais me choca - muitas coisas mudaram muito... ...não tenho mais algumas curiosidades mórbidas, não me interesso muito pelo que não me toca, pelo que falam e pelo que não falam. Me interesso pelo que sinto pelas pessoas, e pelo que fazem por mim (ainda que seja só me fazer sorrir, já vale muito).
Continuo absorvente - porém nada tão íntimo.

sexta-feira, novembro 24, 2006

E vem os Girassóis...


Como bom cidadão paulistano, nos dias ensolarados eu ando dependurado na janela de meu carro pela megalópole (exceto pelo fato de eu não ser paulistano, claro) e no meu caminho de volta para casa passo pela Cerro Corá e outra avenida que não sei o nome.
Bem em frente da Ponteio Churrascaria da Lapa tem uma figura de uma mulher com uma cesta de vime, panfletos e uns Girassóis balançando ao vento enquanto aborda os motoristas dos carros, até aí, sem surpresa pois tem todo tipo de gente oferecendo todo tipo de coisas no trânsito de Sampa - desde guarda-chuvas passando por carregadores de celular e culminando no meu preferido : Mentex (aliás, cadê os Mentex ?).
Enfim, a figura fica paradinha encostada em uma árvore esperando a presa, desavisada, parar no semáforo trifásico que demora horrores, para poder chatear à vontade os pobres cidadãos. Chegou a minha vez : ela simplesmente não tem noção de espaço interpessoal ou privacidade - enfia a cabeça e os Girassóis dentro do carro e começa a balbuciar coisas sobre a Natureza começando sempre com "Você sabia que..." e oferece sementes em troca de um trocado qualquer para uma fundação dessas aí, mas sempre falando compulsivamente. Difícil é entender como ela consegue segurar a cesta, um panfleto enorme e ainda sim pegar o dinheiro ao mesmo tempo. Dei a merda de um trocado para me ver livre dela. Dia após dia, passava por lá e ela estava à espreita, apesar de me abordar com as mesmas frases catch a desgraçada nunca lembrava de mim e pelo fato de passar todo santo dia por aquele cruzamento eu saquei que a tal instituição do caramba não passa de caô puro, aquele era o emprego dela e pronto.
Até que um dia, exausto do trabalho e de saco cheio, estava eu ouvindo minha musiquinha e pensando na vida quando a infeliz enfia a cara dentro do carro (Girassóis inclusos) e começa "VOCÊ SABIA QUE AS PLANTAS..." eu dei um pulo e quase me agarrei ao banco do passageiro e mesmo assim, a louca desvairada continuou o rap dela sem nem se importar com o meu desconforto. Gritei de volta "E VOCÊ SABIA QUE... ...VOCÊ PODE MATAR ALGUÈM DO CORAÇÂO ASSIM ???" ainda assim, a idiota não parou de falar o script, quis matar.
Nos dias seguintes, antes de chegar ao semáforo, eu já começava a me sentir incomodado, avistava a FDP de longe e tinha que me enfiar na fila de carros mais longa, fechar os vidros e aumentar o volume do som no máximo e até fingir que estava no celular não adiantou - ela simplesmente não se tocava, nem lembra de você, mesmo dando um cheque de R$ 5000,00 hoje, ela vai enfiar a cara no seu carro como um camelo do Simba Safári e te pedir um real amanhã.
Até a fatídica tarde, em que estava chegando ao cruzamento e percebi que não havia carros suficientes para me esconder - ela saiu feito uma alucinada em direção ao primeiro carro que ela encontrou, eu ali, suando e olhando para as luzes, quando enfim o carro da frente conseguiu se livrar dela que agora olhava diretamente para mim e caminhando (tentei evitar contato visual) ela vinha, eu olhava para ela, olhava para as luzes, olhava para ela se aproximando em slow motion, luzes... ...a um metro da janela do carro, VERDE !!
Ela parou (na verdade parecia mais uma freada) eu olhei nos olhos dela e gritei "RÁ" e acelerei fundo com a satisfação infantil de vê-la estarrecida pelo retrovisor.
Depois disso, ela sumiu, fazem mais de duas semanas que ela deixou o posto dela vago para uma vendedora de cofrinhos de porquinho.

Todos tem que ter um inimigo, um nêmesis.

O meu, é a mulher dos Girassóis.

terça-feira, novembro 21, 2006

Robert Crumb




Gênio esse cara...

Os que sobreviverem ao Verão, verão.

Chega o Verão;

Eu, particularmente
não sou adepto à bronzeado (no meu caso uma queimadura de
segundo grau),areia fininha entrando na bunda e pés constantemente inchados entre
outras graças proporcionadas por esta época tão especial
para a grande maioria dos
brasileiros - simplesmente não me encaixo na descrição de um brasileiro típico e não
importa o que faça, não sou bronzeado,magro,bom dançarino e jogador de futebol.
Sou simplesmente uma aberração albina em um país de morenos e morenas (não estamos falando do Sul é claro,lembrem-se,o resto do Brasil é mais como o Norte do que o Sul).
Mas além das intepéries naturais,o Verão não passa de um pesadelo logístico.
Se você tem o desprazer de trabalhar em uma grande metrópole como eu,sabe o que é estar no trânsito a um calor de trinta e lá vai pedrada circundado por carros e ônibus expelindo calor puro diretamente em suas ventas (enfim, o advento do ar-condicionado chegou em minha vida,ou melhor,carro) e você chega ao trabalho ou ao cliente com aquelas indesejáveis bolas de suor embaixo das axilas de sua camisa recém saída do tintureiro - pode existir uma primeira impressão pior? Aliás,alguém me explique porque nunca o seus clientes estão no mesmo estado que você.
Os mais afortunados (com grana) se preparam para incríveis meses na casa de praia (Juquehy,Guarujá,Ubatuba,ou sei lá onde esse povo se esconde nessa época)sem a menor dor na consciência:recebem os amigos igualmente ricos e que não precisariam de hospedagem de graça,mas com tanto espaço sobrando e os empregados a postos, e custa fazer essa gentileza?
Já nós,pobres mortais,não podemos nos dar a esse luxo e são meses de antecipação, planejando e contando os dias,as horas disponíveis para se olhar para essa beleza da natureza que é o mar (que aliás, para a maioria, está em segundo plano).
Se possui uma casinha na praia então,é a glória total - leva já as latas de tinta,verniz anti-mofo,veneno para ratos, formigas,baratas,repelentes,filtros solares, a compra suficiente para um mês (só vai ficar uma semana),checa os pneus do carro, o óleo,e por aí vai... ...se pusesse tudo no papel,ia descobrir que dá o mesmo preço de cinco dias em Comandatuba com pensão completa.
Como praia é um horror de chata(não tem muito o que fazer além de beber, nadar e surfar para quem sabe)tem que convidar alguns amigos para animar o ambiente e é aí que o pesadelo logístico começa;a sua família geralmente já está inclusa no pacote e os amigos você precisa por perto para não atacar alguém a raquetadas de frescobol e acredite,até aí as coisas estão planejadas e previstas.
Mas existem os agregados.
Seu cunhado, primo,tio, etc... (um daqueles que não se dão com ninguém)precisa levar um casal amigo para que paz possa reinar na oca,e você,óbvio,concorda aliviado por não ter que organizar socialmente as diferenças - seus amigos,casados e com filhos precisam levar a sogra para olhar a petizada enquanto eles saem à noite para encher a cara e esquecer que são casados (e a sogra conversa com quem enquanto isso? precisa levar alguém para socializar com a sogra)e quando percebe aquele grupinho de oito pessoas agora será de 23 para ocupar os parcos três quartos da casa e dependências. Graças a Deus você construiu o quartinho puxado,o terceiro.
Na hora de ir para a praia,acordam todos às sete com as crianças pulando ansiosas para brincar na água (pranchas, bóias e demais apetrechos nas mãos)isopores sendo
carregados com suquinhos,bolachinhas e Cheetos em cada um dos oito deles tem mais ou menos 5 Kgs.,e pensar que tudo que você leva à praia é uma toalha,livro,filtro solar,cigarros e R$ 20,00, mas ir a pé agora nem pensar.
Chegam na praia às 11:30 hs da manhã carregando bóias,piscininhas,Guarda-sóis,garrafas d'água e 35 cadeiras, parecem uma equipe de filmagem do Senhor dos Anéis em plena praia,que aliás está lotada e não tem muito espaço para acomodar tantos e tantas coisas. As crianças estão correndo por todos os lados e os pais, atrás como perdigueiros preocupados(ou melhor, as mães)durante a primeira hora e meia debaixo do Sol escaldante enquanto os papais,felizes,enchem a cara de cerveja e observam as mulheres que não são as deles passarem em seus sumários bikinis. A vida agora é bela.
Após acalmar os guris e enfiá-los na piscininha inflável,as mães percebem que seus maridos estão mais relaxados e assanhados que de costume e imediatamente você,o amigo solteiro,vira a bússola para saber em que direção os maridos irão olhar e,mesmo que esteja lendo seu livro em paz,será o cara que puxa a fila para a sacanagem (imediatamente,o inimigo).
Após algumas discussões entre os casais,muita cerveja e as crianças agora choram de
vontade de ir para a casa,já são quase 16:30 da tarde e todos estão morrendo de fome - então recolhem seus 564 kgs.de carga aos carros e vamos atrás de nossa sagrada
refeição. Nenhum restaurante parece ter lugar para acomodar 15 adultos e 9 crianças e ficam de porta em porta em busca de qualquer(atenção, QUALQUER)lugar que acomode todos com um mínimo de conforto,geralmente,encontram um restaurante mais vazio que estará assim ou porque é muito ruim,ou porque é muito caro(senão ambos).
Todos tem gostos diferentes e pedem ao mesmo tempo,as crianças impacientes saem
correndo pelo lugar para desepero do staff,carregando suas pranchas e skates enquanto garçons olham para toda essa zorra como se fossem a escória do inferno.
Altas peixadas,cerveja rolando,por breves momentos estão todos felizes e satisfeitos até chegar a conta - sacam-se calculadoras das bolsas e se faz necessária uma assembléia para definir qual idade de criança paga,quais não pagam,se quem bebeu cerveja paga mais(e os sucos a quase R$ 5,00 cada?)e depois de horas de discussão,todos estão sonolentos e ardendo;hora de ir para casa carregando as crianças que no decorrer da discussão desmaiaram de cansaço. No final das contas ,você,solteiro e único morreu com R$ 55,00 pelo seu peixe grelhado e uma caipirinha.
Ás 19:00hs,após descarregar os 564Kgs,rola o êxodo aos dois banheiros - crianças e
mulheres primeiro e ás 22:00 hs.(você não tem crianças e não precisa dormir ao mesmo
tempo que ninguém)o banheiro será todo seu desde que não se incomode em chutar os brinquedinhos de borracha,pisar em toda areia deixada para trás enquanto tem visão
privilegiada de bikinis e cuecas/bermudões pendurados ao redor de você;pingando por
todos os lados,é óbvio.
Após o banho,todos estão dormindo e você está na sala (sem TV,está no quanto das
crianças com o DVD)na maior das solidões lendo uma Contigo de 1998(nem lembrava com quem a Luana Piovani saía na época)e resolve sair, porque não?
Chega na rua meio amuado,sozinho e resolve sentar naquele botequinho ajeitadinho,com mesas fora e som nada mais que ambiente e de cara pede uma caipirinha,se arrepende e muda de idéia : pisa fundo e manda whiskinho puro com muito gelo enquanto observa o povo bonito e bronzeado de vinte e poucos passar e lembra de como a vida era descomplicada,sente até uma ponta de inveja daqueles amigos e amigas passeando à
tôa sem grana para fazer o que você está fazendo e sabe exatamente onde eles estão indo: no primeiro boteco pé-sujo tomar a cerveja mais barata (muitas) antes de ir para a praia se esticar na areia e das uns beijos sentados nas cangas das meninas.
Conhece algumas pessoas,até rola uma paquerinha mas vai levar a linda aonde? Cada cômodo da casa está ocupado e pode pegar mal com a esposas dos amigos - que remédio, dá um beijinho no rosto e se despede na certeza de que nunca mais verá a oportunidade (aquela).
Chega em casa,capota na cama com a certeza de que amanhã vai ser tudo igual.
No dia seguinte,todos acordam,o caos está armado e todos estão carregando os carros
para ir embora,você se esqueceu que tem mais dias de folga e por alguma razão você não deixa a casa até que horas depois todos se foram.
Despede-se,fecha a porta e se vira e vê a casa silenciosa - vazia.
Se dá conta que todo o barulho,as risadas,os gritos se foram - e sente-se a pessoa mais solitária do mundo.
Vai entender.
Percebe que vai passar um filme legal na TV - pega uma cerveja solitária que ninguém quis na geladeira e vai se acomodando, uns salgadinhos...

E pensa que poderia estar em casa, fazendo igualzinho.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Vida nova, de novo.

Bem, devo dizer que estou de volta, desta vez tentarei ser mais coeso (apos meu quase enlouquecimento na NZ) e quero fazer a diferença (ou pelo menos causar um pouco) mas não tô afins de falar apenas sobre eu mesmo - a cidade em que vivo (que está famosa pelo maior índice de criminalidade de SP), as pessoas, o que fazem o que não fazem e porquê (continuo observando como a eterna testemunha) e até usando isso para entender as minhas próprias razões, mesquinharias e pisadas na bola em geral.
Sou ainda o Rei em falar a coisa errada na hora péssima - não importa em que linguagem; talvez perguntar que fim levou a namorada em francês soe um pouco melhor (ou pior), então vou tratar de comprar um livro.
Na real, ainda fico ofendido quando me perguntam porquê não deu certo na NZ, se eu guardei dinheiro, se eu estava pobre e desesperado o suficiente para sair do Brasil (tá, nunca fui rico mesmo...) mas pela última vez - NÃO EU NÃO GUARDEI GRANA (USEI PARA VIAJAR, BEBER VINHO,ENFIAR AONDE BEM ENTENDER), NÃO FIQUEI ILEGAL NEM UM MINUTO, NUNCA TIVE A INTENÇÃO DE GUARDAR DINHEIRO - fui viver, fazer alguma coisa para contar aos netos. Eu gritarei isso novamente muito alto quando perguntado.
Por agora, me contentei em dar o primeiro passo de volta, espero que balguem volte a ler esta droga...

Um grande abraço e nos veremos mais.

quinta-feira, maio 25, 2006

Falha aqui.

Putz, eu sei... ...sou o mestre em intercalar posts em uma ordem nada a ver.
O problema é que eu levo dois meses chegando, minha estapafúrdia vida está mais estapafúrdida ainda e eu mal consegui pôr a casa em ordem devida à grande falta de iniciativa e da grande quantidade (aliás, paquidérmicas) de cerveja ingerida nos últimos dias - porra, todo quanto é lugar que eu apareço esse povo me dá comida e cerveja como se minha vida fosse acabar amañhã (vai que estão certos).
Comprei um Corsinha (o herói da resistência) cuja dona nunca levou sequer para ver um mecânico - branquinho, quatro portas e tem até umas frescurinhas como vidros e travas elétricas mas... ...puta carrinho feio. Me leva de A a B, não desmonta na lombada e gasta bem pouquinho então Deus salve ele em toda sua branquidão.
Odeio carro branco. Apelidei de táxi.
Amigos, vi os mais próximos de mim, os de fora não deu ainda por pura falta de tempo e coisas para fazer (não viajo sem ter mais de um motivo para estar em São Paulo) então fico aqui em Ibicityo curtindo um clima pré-romaria e festa de São Sebas me endividando com cavalo, ferradura, churrasco e me ferrando a ajudar na organização do evento.
Tenho um casamento logo e preciso perder 7kgs - ou é isso ou comprar mais um terno que vai ficar encostado no armário que nem um cadáver. Não é só pão-durice não, o que eu tenho é da Brooksfield, deve valer uns 500 paus hoje no mínimo, além de economizar essa baba, vou ficar magrinho. Mais economia com comida, dá até para comprar uns sapatos novos. Tenho que ir, mais tarde eu termino a saga.

quinta-feira, maio 11, 2006

Tahiti !!!

I know I postponed this entry by pure lack of... ...disposition ? Imagination ? Time ??? I just couldn't be f*cked to write right now.
Well, left Auckland under a gray and wet sky, the same way I got there first place and nearly exactly the day I came three years before : all by myself and without goodbye kisses at the airport, ironically for me, my life seems to go on full circles all the time. Let's move to good stuff anyway...
The flight was calm and I got a seat all for myself (no fat people or kids around - nothing personal but during flights I prefer not to be squashed or kicked on the back of my seat) so I can say that the first step was quite successful; we landed on a very dark spot with lights following alongside the bay and everything seemed to be faraway from the rest of the world somehow. Great, I left New Zealand to find a more deserted spot as if that was possible.
Outside the plane, everything seemed a mix of modern and ancient, totems and wooden sculptures and my heavy clothing from NZ started to overheat under the 30 degrees outside (it felt like a hair dryer directed over your face) and my heavy three-year-luggage didn't help at all on my way to customs... At customs, of course my magnetic bad luck attracted the officers who asked me to open every suitcase and bag possible (my knifes and uniform caused some disturbance) but after some half an hour I was released to find my transportation, outside the gates were people giving us flower collars which confirmed my suspicions : "must be expensive".
I wasn't dissappointed.
The driver was waiting outside with a sign and as usual, my name was spelled wrongly (how hard is to spell SILVEIRA ??) but he was friendly and charged a honest price for the ride which I could say based on my latest trips as nearly miraculous - something must be very wrong, my life is just not that perfect.
Inside the van, I met Erin (New Yorker coming from OZ) and Daniel from New Zealand, felt pleased to have already mates at the Lodge to talk, at least after we passed the unconfortable first introductory moments which I never know exactly how to act (I have a tendency to over-talk to cause a good first impression,of course, usually doesn't work) but we're looking forward to see the Taaroa Lodge, our destination for those next following days - after ending at some nore than freaky hostels in New Zealand I started to keep my expectations low, some of the places nearly had an corpse-shaped drawings in the middle of the rooms, very arty but distasteful if you intent to spend some nights around. Mice are not necessarily a bad sign for me after all...
The Lodge's site was immersed in the dark but we could clearly see the surrounding garden, the main dorm is a giant-shaped bungalow that seemed very new and clean for our silent relief; I was still tense about my lack of money and trying to figure out what would I do in a place that charges nearly US$ 4,00 for a Coca-Cola can, specially because I really apreciate a good beer at any time of the day while on holidays, then I saw the girls, hawaiian girls more precisely, three of them at the open kitchen drinkin' profusely - Shannon is a Barbie-looks lifeguard (every man's dream since Baywatch came out), Deb's a red-headed and freckled beautiful surfer and Kisha, the brunette with her glowing smile and sort of latin beauty; all now half-drunk, they were at that very moment, the dream team of every man alive : gourgeous, Surfers and drunk.
Ralph Sanford welcomed us with a brief explanation about the place, he is a world-class longboarder and a legend - he runs and owns the place for the last ten years at least and surfers all over the world rather stay there than any five-star hotel in the island because of him. It took me a bit of time to win his confidence but after you make friends with him, you simply love the guy no matter what he jokes about... well, everything about you, basically.
Threw my bags around the place and was immediately carried to the town, with the girls, Daniel and Robert (which actually drove us there) which reminded me very much of Jackie-Chan, for some beers and some clubbing. Erin preferred to stay in.
Quick stop to pick one of the most beautiful tahitian girl I've seen and off we went.
To be continued...

domingo, abril 02, 2006

Último dia !

Não tava nem um pouquinho afins de escrever mais no blog, mas tá chovendo pracas lá fora e só tá passando merda nos vários três canais de TV daqui (vide post anterior) então não tenho saída - preciso me entreter.
Na real, é mais um desencargo de consciência pois meu bebê (o micro) irá ser carregado por seres mágicos e teleportado até minha casa no Brasil amanhã (assim quero acreditar, ao invés de dois brutamontes com barba por fazer, que irão carregar meu micro amado até um caminhão imundo e fazê-lo voar dentro de um compartimento de avião)então acho que essa é a despedida derradeira de minha vida eletrônica por aqui.
Hoje foi meu último dia de trabalho - cheguei às quatro da matina como manda a empresa e fui achando que esse seria mais um daqueles domingos teta, quase nada para fazer, poucos pedidos e muita cossação de saco para meu último dia. Alegria de pobre dura muito pouco mesmo.
Os pedidos vieram estratosféricos e a quantidade de comida para repor na geladeira (esta semana os outlets estupraram minha geladeira) era simplesmente desolador... ...que porra de último dia foi esse ?
Corre daqui, corre de lá, mas a ficha de que era o último dia ainda não tinha caído, não tive tempo de assimilar durante a última semana por estar sempre ocupado ou cansado, sei lá, mas foram os últimos minutos de uma dramaticidade mexicana.
Não sabia bem o que fazer, falar um tchau geral,abraçar todos, não abraçar... ...quem quis me abraçou, quem não quis ficou de mandar e-mail, mas falar tchau para pessoas que possivelmente você nunca mais verá na vida é complicado demais, eu já devia estar acostumado mas não.
Oscar, por sua vez pôs a mão no meu ombro e disse que vai sentir minha falta (vindo dele, é o mesmo que um abraço apertado e um beijo no rosto, acreditem) pois chef não abraça e não tem emoção - a gente cozinha e odeia o mundo fora da nossa cozinha.
Na Sexta-Feira, fomos tomar umas biritas no Palace pela minha despedida, da mulher da padaria também e de mais um cara que nem lembro o nome (e que não apareceu) então o povo resolveu fazer uma "gang-bang drinking" com todos reunidos e bebendo as custas do executive Chef que faz uma baba por ano e todos esperam que pague (Amém).
Comecei a beber às três da tarde e lá pelas 8 já estava babando de bêbado - cada pessoa que me via me pagava um shot de tequila (um por um) chegavam pra mim e falavam "fulano quer tomar uma tequila com você" e eu ainda estava me recuperando da última "aonde que ele estava há dez segundos atrás, quando eu virei o último ?".
No final, consegui ir embora antes de dar um vexame e me arrastei até minha casa de onde acordei para trabalhar as três da manhã numa ressaca violenta no Sábado.
Terei mais uma noite de bebedeira com Jake, Vanessa e mais uns amigos chegados pois eles estavam trabalhando na Sexta e não puderam comparecer.
Tenho muita grana para receber de depósito de apartamento, da venda das minhas tralhas e ninguém pode me pagar antes da minha partida - agora ferrou de verdade.
Pelo menos vou receber da Skycity antes de ir embora.
Deus me ajude.

Me desejem sorte e até o Brasil.

Blog do Giovani




Mais um blogueiro na área - Giovani Cabeleireiro, lembram dele ??
Nao ?? F@d@-se, entra lah e da uma espiada para ver o que ele anda fazendo.

Blog é isso, é cooperação, é união, é propaganda enganosa gratuita - salvem os blogueiros carentes...

http://giovanibc.blog.terra.com.br/

Se quiser marcar hora, acho que dá pelo blog...

Giovani - valeu muito pela força que vc tem me dado, um grande amigo desses não aparece do nada - é preciso muita cerveja e conversa fora até chegarmos nesse estágio.

sábado, abril 01, 2006

Do que não irei sentir saudades.



Pois é, agora tenho que ver o lado bom - as coisas que precisam seriamente serem deixadas para trás.
Uma delas são as propagandas de rádio (ligado o tempo todo em todas as cozinhas que trabalhei), são péssimas, hoje mesmo ouvi uma de uma advogada oferecendo seus serviços pelo rádio (multas de trânsito, entorpecentes, delitos médios e graves, salgadinhos em geral) o detalhe é a voz da fulana : fina, estridente e tão irritante que chega a doer em meus ouvidos. Cada vez que ouço imagino essa mulher, de cabelos armados, cheios de mousse ou sei lá o que essas mulheres usam para parecer o Rei Leão, roupas com espampas floridas grandes,uma grande pasta cheia de adesivos da Minnie, maquilagem carregada e à passos largos entrando no tribunal e a cara do Meretíssimo pensando "Meu Deus ! Ela de novo NÃO !!!".
O primeiro comercial que vi na TV há três anos atrás também não é uma obra-prima (continua no ar) que compõe-se de três marmanjos gordos e carecas cantando "show your crack" enquanto takes mostram pessoas no carro olhando para o pára-brisas estilhaçado e sorrindo enquanto falam "Novus" (como se alguém morresse de alegria quando uma pedra atinge o pára-brisas) e volta para os trogloditas cantando "Show us your crack !!" algo como "mostre-nos a sua racha". Lamentável para não dizer sem senso de ridículo.
A chuva de Auckland é outra coisa da qual não gosto nem de pensar - me deprime só de imagina-la, a umidade que atravessa as roupas e a imprevisibilidade das pancadas são de um humor tão duvidoso que parece até pessoal (geralmente a chuva me pega EXATAMENTE no meio do caminho para o trabalho, ou do trabalho para casa) chego a gritar quando acontece. Digamos que a neve também não atingiu tão alto conceito em minha escala, neve é bom para esquiar e só, conviver com a maldita é outra história.
Os cabelos dos kiwis, claro que existem as exceções mas estas jamais cobrirão os atentados capilares cometidos nos salões daqui - são uma mistura de anos 80 com 70 adicionados os devidos toques de modernidade (uma tragédia) que resultam em mohawks bicolores, Mullets (sim, arrepiado na frente e compridinho atrás) desfiados all-way, cabelos pretos com as pontas extra-loiras e os tão clássicos Black-powers (que na real, eu até acho alguns legais, mas 99% poderia ter ficado nos anos 70).
O trânsito aqui, mais parece uma multidão de pessoas acima de 90 anos dirigindo entre si, vira-se para qualquer lado, a qualquer momento, dirige-se muito devagar e acima de tudo estacionarás em mão-dupla sempre, ainda que o próximo buzine e descabele-se tudo que farás é : acenar e fazer aquela carinha estúpida de "desculpa" sem mover-se um centrímetro. Só matando.
Acordar de madrugada para trabalhar também não deixará saudades - precisa explicar ?
Pessoas ?? De algumas é claro que vou ficar com saudade, de outras, digamos apenas que posso passar o resto da vida sem. Sem detalhes afinal.
Das paredes de gib (placas de gesso) que possibilitam 99% do som de chegar através e que caem se você tentar colocar um prego, apenas adeus - parede tem que ser de tijolo - se você tentar correr contra uma, sua cabeça deverá rachar e não o contrário.
Dos três únicos canais de TV (que não tem pena dos espectadores) eu apenas direi que foram úteis por falta de opção melhor (eu sempre respeito TV - amiga, amante, babá e educadora) mas sinceramente que saudades da Rede Globo, aonde os noticiários tem gráficos incríveis, os filmes são bons de vez em quando e os apresentadores não parecem terem fugido do maquiador e cabeleleiro antes de entrar em cena.
Da comida indiana disponível à cada esquina, posso sobreviver sem, obrigado, do fogão elétrico melhor ainda, Vegemite (uma pasta horrorosa de passar no pão), batata em geral (muuuito popular com... tudo), o engordurado Fish & Chips (há meses não ponho na boca), dos preços do supermercado (especialmente frutas e verduras, carne) e da falta de suco de uva decente - um sacrifício comprar qualquer suco decente por aqui. Minha maior e melhor cura para ressaca sempre foi suco de uva (não me pergunte porquê, tenho fissura quando estou de ressaca).
Enfim... ..milhares de coisas das quais poderei passar o resto da vida sem.

Agora... ...posso estar seriamente viajando...

...mas será que vou sentir saudades de odiar essas coisas ??? Hmmmmm...
 
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