segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Complicações.

Ok, conseguir reunir todos os exames entre Santos, Sorocaba e Guarulhos seriam alguns dos trabalhos de Hércules, facilmente, mas agora ter que tirar mais um certificado para embarcar em Santos é mais uma provação - caso contrário o embarque passa para dia 10 no Rio de Janeiro, meus Deus, isso não tem fim !!!
Visto dos Eua, na mão, exames na mão, Formulários para o Seaman's Book já estão em Miami, prontuários médicos estão comigo, e quando se acha que está tudo bem, mudança nas leis de imigração brasileira te pegam pelas bolas.
Não tive tempo para nada, semana passada dirigi 1000kms por conta disso, não fui à academia (que diferença faria agora) e estou chegando ao fim - quero homicídio, sangue, não aguento mais burocracia. QUERO TRABALHAR LOGO e pronto,

Não falei nada com nada - eu ando assim agora.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Algo maior.

Esta semana recebi os prospectos, contrato e muita confusão com papéis para resolver meu plano de fuga - são dois vistos americanos (já tentaram marcar entrevista com o consulado : é desesperador), um visto mundial de portos, um exame médico extenso e caro e claro, todas as coisas que vão ficar para trás terão que ser resolvidas.
O exame médico, só a lista do que abrange toma duas folhas impressas inteiras ,desconfio que irão enfiar um tubo de seis polegadas no meu rabo para olhar por dentro, serão picadas, apalpações e instrumentos gelados, perguntas indecorosas das quais fazem você se sentir um alcóolatra, toxicômano, pervertido e relapso fora as sessões íntimas com copos de plástico com tampa. O consulado americano vai achar que você é um mexicano sedento por capitalismo selvagem, que é um cubano em uma jangada suplicando para por os pés em território americano e na real, eu nem gosto dos EUA tanto assim. O que a gente não faz por um trabalho.
Mas uma coisa é certa, desde ano passado estou me preparando para uma coisa maior, não acho que o emprego seja a tal coisa, mas um meio para me levar até algo que eu não sonho em ter ainda, fazer contatos interessantes, lugares... ...eu sonho pra caralho mesmo.
Não só culinária francesa, mas poder passar pro Provence para ver de perto o que é - significa bem mais para o aprendizado do que 100 receitas, acreditem. Receber os ingredientes locais em cada porto (e prepará-los) deve ser o êxtase de qualquer cozinheiro que se preze, cada lugar tem a sua gama de produção local e com ela muito de sua geografia, cultura e hábitos. Sim eu sonho grande.
Aprender palavrões em mais de 30 idiomas com a equipe, ver de perto os chefs franceses trabalhando no navio (não são poucos), sair dessa experiência com grande especialidade em cozinha francesa deve abrir algumas portas com certeza - ainda que seja para cozinhar em qualquer bistrozinho por aí, fazendo o que gosto. Eu sonho enorme.

Só espero que o sonho não se torne maior que eu, assim é que a humanidade projetou as maiores tragédias (nazismo, Titanic, Babel...).
Mas enquanto eu puder tentar conciliar estas expectativas... ...eu sonho pra cacete.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Oitava série

Um dia, você acorda e está na oitava série, no outro, você tem dezoito anos e pode dirigir, beber, comprar pornografia e ir onde bem entender.
Antes, não ser aceito pelo grupo do qual queria era a tragédia, o fim da sua vida, o grupo de garotas lindas da escola jamais te daria atenção a não ser que realmente precisassem do seu trabalho de EMC para copiar e roubar o carro para dar uma voltinha era a glória - saber quem estava ficando com quem, quem iria ao baile (e ficar com quem), quem comprou o tênis do momento, o videogame, quem conseguiu passar de ano direto; tudo muito estimulante além de nos fazer sofrer pacas.
Mas as coisas mudam, alguns casam, outros enriquecem e outros empobrecem, nem tudo é uma tragédia e o último lançamento da Nike já não empolga mais como deveria, como a vida se torna chata, quando se é adolescente tudo é escancarado e aberto (quanto mais platéia melhor) exceto por algumas partes que apenas escondíamos, hoje, aprendemos a mentir e disfarçar para poupar-nos de sofrimento desnecessário por admitir que não somos bons ou perfeitos o bastante, que coisa.
Agora, é a casa, o carro que alguém comprou, quem casou e separou, quais mulheres e homens não se gostam (apesar de fingir o contrário), a TV de 89 polegadas LCD, quem teve as melhores férias, quem está traindo quem... ...segredos passam a ter grande parte de nossos dias, antes escancarávamos o que acontecia na casa de nossos pais e agora, escondemos o que passa em nossas próprias - qualquer coisa é melhor que um escândalo (antes, nós causávamos o tal do escândalo) e partir daí, trabalhamos, socializamos e ainda temos que arranjar tempo para nossos dramas pessoais.
De verdade o que mudou : quase nada.
Ao invés do tênis, são os carros, ao invés dos casinhos, os casamentos e seus obscuros bastidores, ao invés da escola, carreiras muito ou nem tão brilhantes mas um ponto continua o mesmo; sermos aceitos pelo grupo.
Nossas namoradas gostosas se tornaram donas-de-casa, profissionais e mães em tempo integral (e esperar que ela use o vestidinho de oncinha ainda por cima ? acorda), nos tornamos mais gordos, carecas e grisalhos e a não ser que esteja em uma Ferrari, as gatinhas não vão se entusiasmar com a sua passagem, acredite. Quando se é jovem, o cabelo voa ao vento, os dentes são branquíssimos e sua pele (já depois da acne) poderia ser vista em um comercial da Calvin Klein, sempre bronzeada pelos dias praticando esporte na quadra e seu abdomen então, rocha.
Fundamentalmente, somos os mesmos, um bando de adolescentes que ao invés de fumar escondido de nossos pais, fumam escondidos das esposas e maridos, beber idem (até porque, você aguenta bem menos), os dias sem dormir na balada são substituídos pelas vigílias aos bebês e as viagens passaram a ser mais escassas e luxuosas - camping nunca mais, mas se os filhos quiserem, você vai dormir em uma barraca de 1X1m fácil.
E enquanto observo a galera de 20 anos se divertindo com pouco (ou muito), ficando dias à fio sem dormir e se preociupando apenas com as notas da faculdade sinto uma ponta de inveja, ah meus vinte e poucos...
Ainda sonho com a Ferrari, ainda tenho horror à acne e estou constantemente tentando ser aceito pelo meu grupo (pelo menos hoje, eu já sei qual é, pela vida) então de verdade, será que alguma coisa mudou, seriamente ?
O grupo de gostosas ainda não me aceita. Aliás, nem tenho grana para acompanhar os maridos delas.
Ainda por cima, trabalho em cozinhas, a terra do nunca profissional - eu não vou crescer nunca. Graças a Deus.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Comfort Food. Saia da sua zona de.


Vamos falar sobre culinária, várias pessoas me cobram e eu tenho algumas coisas a dizer sobre essa modinha aí de Comfort Food.
Primeiro, o que seria a tal da Comfort Food ?
Comfort Food é a nova invenção na qual os clientes vão até um restaurante ou supermercado comprar alimentos que induzam ao bem-estar através de reações mnemônicas trazidas pelo sabor, olfato, etc... ...ou seja, sua memória irá trazer 70% do prazer obtido na refeição, os pratos são receitas costumamente preparadas nas casas brasileiras tipo, strogonoff, rocambole de carne, picadinho, brigadeiro, etc... ...para quem viu o filme Ratatouille, é o que acontece com Anton Ego ao provar o Ratatouille, em que se recorda da sua mãe lhe servindo o mesmo - traz lembranças da comidinha da mamãe. Orfãos estão excluídos do mercado, que crueldade.
Os sucos com gominhos lançados recentemente, por exemplo, são baseados no conceito.
Louvável a intenção, trazer uma lembrança antes esquecida de nossa terna infância e ainda lucrar os tubos com isso (quanto custa fazer um picadinho, eis a questão) mas em minha solene e sincera opinião, os clientes merecem mais que isso.
Eu, por exemplo, jamais pegaria meu carro, enfrentaria trânsito, pagaria o manobrista e ficaria esperando por uma mesa comendo torradinha de pão amanhecido para comer um picadinho de carne com chuchu e abobrinha, não obrigado.
Brigadeiro de colher então... ...prefiro um Créme Bruleé bem tostado o açúcar e eu que me vire com o colesterol depois.
Quando vou à um restaurante (para jantar, bem dito) gostaria de ser desafiado pela comida, de me achar um ignorante por não saber como chegaram a tal resultado, ser até insultado pelo prato se for este o caso mas achar que qualquer restaurante vai fazer a lentilha com arroz e pimenta síria igualzinho ao da minha avó, diria, que nem mesmo com as mesmas panelas, a mesma cozinha e os mesmos ingredientes eles farão alguma coisa remotamente parecida (talvez executem até melhor o prato) com a experiência quase religiosa que era comer naquela casa simplesmente pelo fato de que: Ela não está mais lá. Este momento passou e deve ser guardado em minhas memórias mais ternas, agora, é minha vez de criar estes momentos para as pessoas que estão à minha volta.
Pela minha experiência, a grande maioria das pessoas não gosta de se aventurar quando o assunto é comida quando deveriam estar fazendo simplesmente o contrário, comer é também viver um lugar, uma situação, um romance. Se o restaurante fechar, se nunca mais achar aquele prato especial, fazer o quê ? Ao menos você já tem isso em sua memória e nunca irá perder. Achar que servir o mesmo prato de quando se conheceram irá faze-los esquecer da última briga é um erro - como um prato de comida os fará esquecer do cortador de unhas na sala, do chão do banheiro molhado constantemente, da tampa da privada levantada ?
Meu conselho - siga em frente, experimente tudo que lhe interessar e recomende depois.

Saia da sua zona de conforto, sempre.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Legado


As pessoas buscam na vida, ter um legado - essa palavrinha estranha.
Oara alguns, Legado significa deixar bens, uma empresa, uma instituição ou até mesmo uma placa de bronze, os seres humanos são complicadíssimos dessa maneira - passam a vida inteira querendo esquecer muita coisa, mas pretendem ser lembrados apenas pelas razões das quais gostariam de ser lembrados.
Para alguns, essa memória seletiva (e conveniente) pode ser tanto para enaltecer alguma coisa que julgam fazem muito bem, ou para completar lacunas que gostariam de ter preenchidas ou até para compensar a falta de grandes feitos enquanto outros preferem ser lembrados pelo que tem ao invés das coisas que possuem - seja uma casa, um carro, o salário, as roupas e por aí vai. As coisas que possuímos ? Sabedoria, coragem, brio, inteligência, senso de humor...
Pais recebem méritos pelos filhos, filhos são um legado à parte, quem não sabe ? Já os filhos que recebem o legado dos feitos de seus pais, carregarão o fardo pesadamente (os filhos do Antônio Ermírio talvez nunca cheguem aos pés de seu pai) mas a cobrança será vitalícia, que pesadelo deve ser isso.
No meu caso, gostaria apenas de ser lembrado - não quero bem um legado (pelo menos não no tom sério que a palavra tem sido usada)gostaria de uma coisa mais simpática e menos emulativa, tive meus momentos de coragem, ousadia e aventura dos quais fazem meus olhos brilharem a cada lembrança, fiz coisas que gostaria que as pessoas fizessem pelo menos uma vez na vida (assim como conheci pessoas que tinham experiências que gostaria de ter), não descobri a cura para o câncer nem ganhei um Nobel mas saí o quanto pude e nem sempre o quanto gostaria da minha zona de conforto, vi a Ásia (um pedacinho dela), Oceania, mudei de carreira aos 30 como quem não quer nada da vida, pretendo correr o mundo só para satisfazer minha curiosidade e nunca ficar me perguntando tanto "e se". Gostaria que as pessoas lembrassem daquele doido, imbecil que ficava rodando o quanto podia pelo mundo, que não se acomodava e que talvez fantasiem que eu era um Jacques Cousteau, um Amyr Klink ou apenas um mochileiro desvairado (o que é a verdade, não acrescento nada à humanidade eu acho)ao invés do cara que tinha o carro prata, que era de tal classe, que usava tal coisa... De verdade, disso ninguém vai lembrar mesmo, estas coisas não nos fazem únicos - pelo contrário, na esperança de se destacar as pessoas estão ficando cada vez mais iguais (o que é a moda então? uniforme,eu digo), lembro de tal deputada mais pela ousadia de ter cabelos roxos/vermelhos/azuis do que pelo trabalho dela (um pouco triste isso), mas a verdade é essa, essas coisas que nos fazem únicos e memoráveis.
O oposto, ordinário e ortodoxo, eu posso citar aos montes, proprietários de Mercedez - Juntem-se aos outros milhares pelo mundo, proprietários de Mercedez que escalaram o Everest - não devem existir muitos e quantos você conhece, aliás ?
Viu que diferença - o cara jamais será lembrado pelo carro, vai ser o cara que escalou o Everest e pronto.
O que te faz único e memorável, na minha opinião são justamente as coisas que o fazem ser amado e odiado - as pessoas podem te admirar pela sua inteligência, generosidade, senso de humor, etc... ...e podem te invejar exatamente pelas mesmas qualidades.

Meu legado, feliz ou infelizmente, será o de ter sido apenas eu - único, assim espero.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Esperar

Nossa sina nesta vida é esperar, não adianta - espera-se por tudo (deu para perceber que eu tenho sérios problemas em esperar qualquer coisa), bem, a saga da semana passada em Santos (novamente) me disse bem o que pode ser esperar.
Esperei até confirmarem o e-mail da entrevista, quase surtei pois a hora e local foram confirmadas um dia antes, depois esperar ate a manhã seguinte (na pousada do tropeço, parece que é a única que tem vaga sempre) esperar até a loja abrir de manhã em Santos para comprar uma camisa (na pressa peguei tudo preto - calça, camisa, sapato) esperar o pouco trânsito sa Avenida em Santos até chegar no cais, esperar na fila de visitantes para pegar meu passe e subir no Navio, aí que o bicho pegou.
Cheguei esbaforido às 9:30 no estacionamento do maldito cais (porquê não põe uma merda de uma placa lá dizendo: Embarque de passageiros, difícil isso), cheguei ao estacionamento dentro do cais para ser informado que não se poderia estacionar ali, sem hesitar simplesmente atirei R$ 20,00 na cara do manobrista ali e sem uma única palavra minha ele só me disse "me segue" - guardei o carro nas vagas reservadas para operadoras e voei para dentro. No guichê de visitantes, teria uma suposta lista que diz quem entra e quem não entra no navio, óbvio que meu nome não estava incluso, já eram quase dez, a entrevista marcada para a dez e eu enlouquecendo ali, liga pra cá, telefone de lá e as atendentes já sentindo meu desespero. Dez e meia, resolvi ligar para o meu cafetão (meu agente) para que ele providenciasse um aviso de que eu estava lá plantado.
Meio-dia, e lá estava eu plantado, criando raízes fundas quando chega a tão sonhada lista com meu nome incluso - corri até o microônibus que leva os passageiros até o terminal e cheguei ao tão desejado navio, um luxo, a majestosidade do salão de entrada era tanta que chega a beirar o brega, mais uma espera até o filipino de plantão conseguir contatar meu entrevistador, enquanto isso, as pessoas saindo e entrando e eu com cara de paisagem esperando.
Chega um baixinho em roupa de chef, sua doma é bordada, em um inglês estranho pede para acompanhá-lo e enquanto andava realizei que pelo uniforme, era ele quem mandava ali. Rezei em voz baixa "não seja francês, não seja francês..." quando entramos em um dos restaurantes vazios, ele se virou e disse "sit down... sivouzplait" - PQP, perdi o emprego antes de começar. Para aqueles que acreditam que não há situação ruim que não possa ser piorada, chega o Gerente de operações, me diz oi e fala em francês com o chef, já comecei a escrever minha lápide ali - Aqui jaz um candidato que sucumbiu a França e sua culinária. Fui sabatinado com nomes de pratos em francês, para traduzie, lembrar e explicar de volta em inglês, eu era uma ONU sentado ali. Nem preciso dizer que eles acabaram com a minha raça, quando você pega numa faca, já está em dívida com os franceses, acredite. Negocia daqui, negocia dali, muitas perguntas e explicações depois, já estava contratado, eu acho. Minha cabeça ainda girava, rodava... me mostraram as cozinhas, os restaurantes, os chefs me viam passando, alguns diziam "bem-vindo" (será que eu fui contratado) outros me comiam com os olhos, enraivecidos, principalmente os membros filipinos e um frances. Intimidador, porém nada a que eu não esteja acostumado. Deixei o navio, esperei pelo ônibus e voltei, meio que não acreditando que estava contratado, de verdade ninguém havia feito um aviso oficial. Mais uma espera.
Na Sexta, chegara o e-mail me dando boas vindas.
Agora, espero pelos documentos exigidos, pelas datas, etc...
A espera nunca termina. Depois será a espera de embaracar, de desembarcar.

Mas eu vou - sou o novo funcionário de um navio rumo ao mediterrâneo.

Espero sim, que tudo corra bem.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Enfim...


Uma luz, um e-mail pedindo a cópia do meu passaporte, graças a Deus, enfim alguma coisa para me acalmar um pouco. Drama o caramba, tente esperar por qualquer resposta que afetará os próximos anos, meses de sua vida e veja como voc~e se sai...
Neste meio-tempo, tento emagrecer todos os kilos da ansiedade (estou um porco)vou à academia, dirijo meu carro por aí e espero...

Mas senhoras e senhores, eu vi a luz !!
Amanhã prometo alguma coisa criativa, estou sem paciência hoje (eu e paciência na mesma frase só assim...)

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Suspense


Este suspense está me matando.
A tal da entrevista de emprego para o navio está marcada para dia 13 de Dezembro, e até agora meus agentes não enviaram confirmação, geralmente eu não me importaria tanto mas desta vez eu quero saber !!!!
Odeio suspense, quando quero suspense para a minha vida eu alugo um DVD, na verdade mais que o suspense eu não aguento esperar (a espera me mata) esperar para as coisas acontecerem é simplesmente torturante - esperar pelo ônibus, esperar por uma carta, esperar por um telefonema, fila do aeroporto, sala de espera do médico (se for resultado de algum exame então... ...surto), enfim, esperar é simplesmente a pior coisa do mundo para mim. Odeio fila, fila de banco, fila para tirar documentos, fila em qualquer caixa, fila para comer então... prefiro passar fome, não consigo e não aguento.
Tenho inveja de gente rica, que não precisa esperar por nada, passam direto pelo check in no aeroporto, as lojas se desdobram para entregar a roupa o mais rápido possível, Tudo tem hora marcada e preferência para eles, dinheiro compra imediatismo afinal tempo, é dinheiro quem nunca ouviu falar ?
Aliás o tempo sempre foi meu inimigo, eu brigo com ele mas tenho que me sujeitar às suas intempéries e subjetividades - devo ter nascido prematuro, não sei esperar nada.
Até o carro que está decidindo se estaciona ou não, aquela pessoa que anda devagar na calçada (quero secretamente dar um soco na nuca), gente no caixa eletrônico que demora a digitar e consulta 10 papeizinhos para pôr a senha, etc... ...tudo isso me faz pensar que devo perder meses por ano de minha vida esperando, se fosse contabilizar tudo isso vejam só, talvez seja minha natureza e não tem cura, vou estar eternamente em uma corrida contra o tempo (infrutífera) e todos sabemos que no final, ele ganha e se acaba para você. A maior ironia, a gente nasce, cresce, aprende cada vez mais, fica mais sábio e quando está perto da perfeição, morre.

Caramba, queria muito que o tal do e-mail chegasse, pois nem tempo para escrever isso eu tenho agora... ...e se a tal da entrevista furar, será um desperdício de tempo total e completo ?

sexta-feira, novembro 30, 2007

Boneca para cães




Sim boneca inflével para cães, imagina - tem um buraquinho atrás

Olha mamãe, um brinquedo de apertar !!
Filhinho, filhinho... nãoéumbrinquedodeapertar !!!! Oh meu deus...

O mundo já foi assim


Uau ! As gengivas também !!!

Da série O mundo já foi assim...



Já imaginaram

Vintage






Sou viciado em coisas antigas mas nem tanto - achei umas imagens que unem vintage + humor negro (imagina se não fosse a minha cara), então estou usando uma maneira mais personalizada de ofender e escandalizar as pessoas do jeito que eu gosto...

quarta-feira, novembro 21, 2007

O que será do leite.


Já que estamos falando de Brasil, vou aproveitar para digerir a lactose.
Fora o trocadilho (Leite, meu sobrenome,nunca gostei mas meus amiguinhos de escola se deliciavam com isso e a minha cor transparente), sacanear o leite é simplesmente o fim da rosca !! Água oxigenada, soda cáustica e o caramba (fora o tanto de água adicionada) pra ter certeza que nossas crianças já cresçam desconfiando até da sombra, enquanto esperam na sala do gastroenterologista para tratar uma úlcera.
E o que mais me preocupa, nenhuma empresa como as grandes por aí (tipo a Parmalat,Nestlé) anunciou nada do tipo "O nosso é puro, compra a gente, bebe a gente" - sinistro.
Eu, por coincidência do destino, gosto de leite de soja, um dias as fábricas vão me ligar e perguntar se era eu mesmo este anos todos comprando - mais um trocadilho o Leite não toma o leite (nem meu irmão gosta também), não que eu esteja me sentindo menos chocado ou lesado por isso, mas deve ter gente pra caramba por aí passando mal achando que era o álcool e era a merda do leite que estava matando-os.
Depois teve o lance dos queijos (que são feitos de leite, certo), não pode comprar tal, depois virão as paçoquinhas (me dá até medo de pensar no que pode-se adicionar ali), depois será o que ? Filhos das Putas, vocês não precisavam ganhar tanto dinheiro assim, bastaria vender apenas o que prometem.
Lembro de vários outros casos, como os da balinha Van Melle com cocaína (?)que sinceramente não acredito que alguém vá gastar tanto assim com uma sacanagem, da pinga com metanol, do café com pó de serragem e por aí vai.
Vou me mudar para uma floresta, viver de caça e mascar folhas pois não confio mais nas indústrias, supermercados, vendas e padarias (tem o tal do bromato no pão) não senhor... ...vou caçar aves e peixes para subsitência, fazer meus remédios de ervas e andar por aí descalço.
O celular pode causar Câncer no cérebro, a TV radiação e me cegar, as linhas elétricas liberam ozônio em quantidades paquidérmicas, o computador emite pulso eletromagnético (sei lá o que isso causa), enfim, só sairei de casa em uma armadura de chumbo (que também deve ser tóxico).
Tudo isso, começou por causa do leite.
E, com tudo isso, me pergunto, o que será dos Leites, eu e meus pequenos futuros Leites, será que vamos sobreviver em um mundo desses ?

terça-feira, novembro 20, 2007

Polititica.

Por onde começar - talvez pelo Lula nunca saber nada (ele não tem internet e TV a Cabo, nem aberta, acho que ninguém tem no plenário também), pelas CPIs que resolvem TUDO sem fazer NADA, talvez pelos eleitores que não sabem votar, ou poderíamos também discorrer um pouco sobre qualquer prefeitura local que tornou-se um mega-cabide de empregos, não importa, cada vez mais sentimos o fim se aproximando.
Calma lá, ainda não disse o fim, e qual o sentido dele.
A tendência do que não pode piorar é sempre a de melhorar, quanto mais atrevidos e descuidados nossos políticos agem, mais e mais o povo pode se conscientizar da merda (SIC)toda que está rolando diariamente em nosso país. São milhares de páginas nas revistas, com gráficos coloridos, fotos e tabelas com quem roubou o que, quem favoreceu quem, o quanto perdemos com cada casa, lancha e iate comprado às nossas custas - vou ser direto : eu quero a revolta, guerra civil se necessário - tenho fé que ainda o povo irá as ruas queimar estas casas, invadir fazendas de acres, jogar Mercedes Benz caríssimas de cima de pontes e fazer igualzinho fariam com um ladrão que roubou a sua própria casa e você descobriu, ir até lá e queimar tudo no chão se preciso, não que você pegue de volta mas só para vagabundo descobrir que se não é dele, não poderia estar com ele e pronto.
Imagina que show, uma enorme fogueira na frente do planalto onde atiraríamos Mont Blancs, Balenciagas, Títulos de ações ao portador, Dólares, Rolexes e Cartier e deixar claro que o que queremos não é dinheiro, não é esmola, queremos é honestidade.
Não queremos as bugigangas dos ricos, queremos é que eles parem de comprá-las com nossos três ou quatro meses de trabalho por ano que são precisos para pagar os impostos (se bem que iria ser divertido ver a gari varrendo a rua com um lindo colar da Tiffany's) e simplesmente mandar as crianças para as escolas decentemente equipadas, entrar em um hospital público sem o medo de sair com um parafuso em cada lado do pescoço, andar pelas ruas de mãos dadas à noite sem ter a sorte de encontrar uma bala perdida (nunca é perdida, alguém sempre encontra), sem pagar 15% de seguro sobre o valor do carro, sem muros, grades e lanças pois os presos somos nós.
A lista é longa e iria levar dias para descrever.
Enfim, parece que estamos chegando ao fundo deste poço, se alcançamos o fundo não deverá haver como descer mais, a hora está chegando, prestem atenção - os brasileiros chegarão ao ponto de tomar uma decisão, atitude ou seja lá o que for mas eles não nos deixarão outra saída pois até a saída pelo aeroporto anda complicada.
E aí, poderemos curtir o carnaval, o futebol (sem CPI), as bundas, a novela sem nos preocuparmos tanto. A obrigação estará feita, para podermos ter diversão.
Até lá, temos que nos contentar com as sobras da corrupção, olha que bosta.

Sabe porquê a revolta ? Porque um delegado da Justiça Federal disse que a Violência e o crime custam apenas 10% dos prejuízos causados ao país se comparados à corrupção.

Quem é o bandido agora : os caras da favela, ou os de terno Armani na Mercedez ? De qual você teria mais raiva ?

segunda-feira, novembro 19, 2007

Juréia


Passei o fim de semana em Juréia.

A empolgação da praia, a areia branquinha, os guarda-sóis coloridíssimos, os drinks gelados à beira-mar... ...esqueça tudo isso, sou eu que estou contando então claro que nada disso rolou.
Chegamos na quarta-feira à noite, o tempo estava pra lá de duvidoso e a estrada (de terra batida) parecia mais um rally, socos, solavancos, poças gigantescas e enfim chegamos à tal da balsa, horas depois, cansados e em busca de nossas merecidas férias.
O frio era congelante, o vento cortava nossos rostos e a garoa molhava nossas roupas, incessante, impiedoso, estavámos em plena Sibéria dos turistas.
No sábado, fomos até as pedras (reserva ecológica) e assistimos frustrados nossos isopores voando, nossos carros se enchendo de areia (nossos olhos também) e conseguimos ficar exatos cinco minutos até que alguém de juízo perfeito sugerisse nossa retirada estratégica até o primeiro boteco à beira-mar disponível.
Nem preciso dizer que Domingo (o dia de ir embora) foi de um Sol radiante e calor estafante para ajudar as três ou mais horas no trânsito de volta, que aliás, foi de quase cinco horas - se tivesse um rifle teria matado uns dez, pelo menos.
Ultrapassagens impossíveis, impaciência, carros quebrados, um dia de fúria.
Quando cheguei em casa, liguei a TV e comi meu sanduíche, pensei - isso sim é férias.

Verão Brasileiro - Senhores, clima tropical = chuvas no Verão. Somos abençoados.

terça-feira, novembro 13, 2007

Santos - que me ajudem...


Olá a todos (os poucos leitores que me restaram, quero dizer...);

Semana passada estive em Santos para obter meu certificado STCW (acho que a sigla é esta) que consiste em formar idiotas como eu em tripulantes de navios com competências digamos assim... ...úteis. O curso havia sido cancelado pela marinha em cima da hora e por livre e espontânea pressão das operadoras foi aprovado de novo - resumo : praticamente um dia antes fomos avisados que iria rolar, já estava naquelas de que saco, aqueles cursinhos no quais arrancam dinheiro de você para ensinar absolutamente porra nenhuma (SIC), principalmente sendo obrigatório para pessoas que como eu, não tem mais saída a não ser se enfiar em um porão de navio por seis ou mais meses.
Primeiro, devo frisar que eu não conhecia Santos, a Avenida da Praia é coisa de primeiro mundo, limpa, arborizada e cheia de gente e prédios bonitos, já o restante da cidade... ...é como se o Rio de Janeiro tivesse vomitado em Ubatuba, suja, feia e com muito concreto. Consegui uma pousada (a Caravelas) na última hora, ao módico preço de R$ 80 a diária (com Café da Manhã) em um lugar que julguei perto do curso, a atendente do Hotel se mostrou muito eficiente e simpática, fiquei feliz com a decisão, era um cliente satisfeito.
Ao chegar de noite, consegui achar fácil o lugar - a pousada ficava em um prédio antigo da Orla, estacionei o carro na porta e fui fazer o check in, um senhor baixinho e com cara de poucos amigos me atendeu, me passou uma ficha da Embratur para preencher dizendo apenas para assinar embaixo (sem preencher os detalhes) e por mais solícito que eu fosse, ele não sorria NUNCA - apelidei-o de tropeço, o mordomo da família Addams. Subi ao quarto (após estacionar o carro EU MESMO e deixar as chaves) para descobrir que o lugar é de certa forma um pardieiro (limpo, um pardieiro limpo) mas pelo menos tinha TV a cabo e nem sinal de baratas, os móveis eram iguais aos da casa da minha avó, tudo rangia e a cabeceira da cama cada vez que eu encostava a cabeça prendia meus parcos fios de cabelo.
Manhã seguinte, acordei e fui tomar café, tropeço ainda estava por lá com sua simpatia contagiante (meu bom-dia ficou no vácuo, mas nem liguei pois não sou gente de manhã) e uma simpática garçonete me atendeu (ficou simpática demais e não parava de falar - não é culpa dela, como disse não sou flor que se cheire pela manhã) e resolvi colocar meu Ipod nos ouvidos enquanto degustava meu nada Continental café.
Digamos que o custo-benefício da pousada seria válido se custasse por volta de R$ 50,00 pois é quase o valor de um IBIS ou Flat em São Paulo, mas dizem que tudo à 500 mts. do mar valoriza, menos o seu passe.
Peguei o ônibus lotado e consegui parar no ponto certo (seis kms depois, esse era o lugar perto) cheguei à escola sem muitas expectativas e fomos logos postos em uma sala de aula que, graças a Deus tinha ar-condicionado, a aula era sobre sobrevivência no mar, um belo prospecto para pessoas que iriam passar um mínimo de três meses dentro do navio. Aliás, o curso inteiro é praticamente sobre tragédias marítimas.
O curso transcorreu bem, apesar de longo (onze horas) deixei a sala às sete da noite, pensando o que fazer para me distrair - resolvi voltar caminhando pela Avenida da praia. No começo, era só alegria, comprei uma latinha de cerveja e fui andando, vendo as pessoas correndo, circulando, conversando, as lojas (caríssimas), comprei mais uma latinha e estava todo satisfeito e contente com minhas férias sem férias. Meia hora depois, a caminhada já estava um pouco frustrante, o calor e a umidade começaram a incomodar, a camisa grudada no corpo, a cerveja entrando em ebulição, parei comprar outra e aproveitei o ar-condicionado do Pão de açucar para me refrescar. mais caminhada, nada de chegar, continuei em minha árdua missão de chegar ao hotel,estalagem, pousada, ou sei lá o que chamam aquilo.
Uma hora depois, parecia que eu estava chegando de São Paulo a pé, a roupa com aquela indefectível marca de suor, a mochila pesava uns 300 kilos e meus pés já começavam a dar sinais de cansaço, as pessoas corriam bem no meio do caminho, a maldita maresia já começava a se acumular em meu rosto e cabelo e eu já havia decidido que iria me aposentar em Campos do Jordão, beira-mar nunca mais.
Cheguei na pousada de mau-humor e intimei tropeço se naquela espelunca eles vendiam cerveja em lata, sem muita euforia ele foi buscar duas latas de Itaipava (Heineken nem pensar) que ao menos estava gelada - entrei em meu quarto, deitei um pouco e depois da segunda lata a vida começava a fazer sentido de novo.
De ânimo renovado, banho tomado e nada para fazer resolvi sair para tomar alguma coisa - escolhi o primeiro quiosque pé-sujo e pedi uma caipirinha de limão (na verdade, caipirinha TEM que ser de limão, o resto é perfumaria) e como era o único cliente do rapaz, recebi uma de mais ou menos 500ml. com direito à música flashback dos anos 80 (o cara ainda tentou me vender o CD que estava tocando), ao final da caipirinha já estava ficando um sujeito simpático (eu e ele). Deixei o simpático e fui á Lanchonete quase em frente à pousada para ouvir um som na Jukebox que tinha lá, pedi uma cerveja antes de ir embora. Quatro garrafas de cerveja depois, estava disputando a jukebox com um velho louco, cada vez que eu punha uma música, ele ia lá e punha dez e ficava me encarando - cheguei ao lado dele em uma delas e perguntei se ele estava me paquerando - ele sumiu, e pude enfim, ouvir uma música em paz. Voltei cambaleante ao hotel, pousada,estaleiro, cocheira, rosnei para o tropeço que veio abrir a porta com a disposição costumeira e fui dormir.
Acordei, já com o Ipod no ouvido e fui tomar café sentindo os efeitos do álcool ainda vívidos na cabeça, nem Deus me fazia entrar naquele ônibus abafado - iria de carro. Cheguei no curso, me sentei e pude experimentar a ira de litros de cerveja contra uma única e inocente caipirinha de limão em meu estômago, contive a ânsia várias vezes durante o decorrer do dia. O grupo de pessoas na classe era legal, disso não tenho reclamações, e resolvemos agitar um choppinho no final do dia.
Seis torres depois, estava apenas meio caminho alegre, com uma azia incrível e ainda assim me desloquei à outro bar para as saideiras. Cheguei ao Hotel com uma pusta azia e fui dormir.
Último dia, última parte do curso (primeiros socorros) pude contemplar a fragilidade humana em todas as suas facetas, crises convulsivas, fraturas, intoxicação, descobri que tudo faz parte de uma supostamente agradável viagem de navio, olha que legal, tipo... ...o curso é para as pessoas terem certeza se realmente querem embarcar naquela arapuca flutuante e cara. O professor era um tanto quanto... ...ambivalente, repetia sempre a frase "vocês não sabem isso...". Se nós soubéssemos, afinal, porque raios estaríamos fazendo um curso de R$ 400,00 cacete !!
Tudo terminado, ainda dei carona até São Paulo para quatro guias da CVC, que por sinal, adorei. Agora só resta a ansiedade pela entrevista no Navio dia 13 de Dezembro, Deus me ajude. Não vejo a hora de rebatizar este blog pela terceira vez, o primeiro nome era "Ninguém merece esta New Zealand", para depois passar para Tripping e espero, "Ninguém merece este Navio" ou similar.

Rezem por mim - e ALTO. Resta saber se o Navio merece ter eu por perto.

quarta-feira, novembro 07, 2007

A vida de carro e celular.


Esta semana fiz uma coisa da qual posterguei até o máximo;

Reuni todos os e-mails, textos e blogs desde 2003, do período da Nova Zelândia até hoje e um dos primeiros foi "essa vida de carro e celular" no qual relato a total independência destes dois artigos de luxo (hoje em dia nem tanto, qualquer Zé Mané tem um dos dois) em minha vida, particularmente.
Desde que voltei, já tive um celular roubado, dois comprados (um quebrou e precisei de um quebra-galho) e aparentemente o avanço que isso trouxe à minha vida foi ZERO.
Celular é, como dizem um mal necessário, as pessoas podem te encontrar no meio do teu almoço (uma dádiva) ou no motel traindo, olha que conveniente essa modernidade, a câmera do celular é a famosa câmera da sacanagem (não tem outra utilidade a não ser te pegar no flagra).
Agora tenho um LG 320m, tira retrato, toca musiquinha e faz sabe-se lá mas o quê, pela módica quantia de R$ 650,00 ele faz de tudo, só para fazer e receber ligações que ele não presta - e eu estava esperando o quê - por esse preço só faltava o tal do aparelho te fazer sexo oral. Se bem que até nisso eles devem estar pensando.
Enfim, o tal do celular comprovadamente mais me incomodou do que ajudou, cada vez que você vai sair de casa, tem os documentos para carregar (RG, CPF, Cheques, cartão, dinheiro cash) cigarros, isqueiro, chaves (carro, casa, escritório), o celular, o carregador, etc... Já é quase uma mala, e ai de você se a bateria acabar - o meu NUNCA recebe ligações a não ser quando está desligado, aí aparecem 2500 mensagens da Claro (que não funciona) dizendo que o mundo estava tentando se comun icar com você (aí começa a paranóia, será que era uma oferta de emprego multimilionária, sexo sem compromisso, seu cão em alguma emergência)... ...mensagens de texto então, são as melhores. Eu simplesmente não consigo decifrar "o q vc vai fzr + tde, vms fzr alg kza - me irrita profundamente a matança cruel e bárbara do idioma através dos textos. Se bem que escrever naquele tecladinho sem ter os dedos de uma pianista profissional parece uma tarefa de reality show.
Do carro, será que eu realmente preciso falar...

Um carro, dizem, é uma família - precisa de carinho, atenção, banho, investimento, etc... ...desconfio que quando o carro passa da condição de família ele entra na condição AMANTE, gasta o seu dinheiro sem dó,nem pena. Nada contra, adoro a liberdade proporcionada por ele, além do que, para quem mora no Brasil e em São Paulo (no estado de, quis dizer) ele se faz totalmente necessário para trabalhar, viajar e viver. Não deixe a vida acontecer sem você, dizia o reclame.
Agora... ...as horas de manutenção, lavagem, e demais mimos te deixam par a par à qualquer pai atencioso ( e ai de quem encostar naquela pintura lustrosa). No meu caso, o carro sofre atentados semanais, um riscão ali, um amassadinho aqui, de repente algum pombo tem uma diarréia e lá vai o pai preocupado correndo atrás do filho, com paninhos, cerinhas, cheirinhos, etc... ..para mim, meu carro já virou adolescente e pode se cuidar sozinho, faz um barulhinho, reclama aqui, ali, mas no fundo eu sei que ele está bem. Apenas empurre as milhares de bugigangas jogadas ali e sente em um cantinho.

Na verdade, esta foi uma re-avaliação do que havia dito, só que apenas por outro ângulo e querem saber ?

Eu não poderia estar mais certo.

Segue o original.

Voces nao sabem como faz falta ter um carro nessa terra...

Auckland e uma cidade ate que pequena, mas por um destes acasos do destino eh espalhada e ficou decidido que no centro se trabalha e nos suburbios se mora.
Ontem, comecei a trabalhar em um cafe em Takapuna Beach,uns tres ou quatro kms de casa – perfeito. No sabado ao voltar da balada (as 11:00 sai o ultimo onibus para minha casa,bem entendido que a tal balada dura pouco pra quem nao tem carro) descobri uma coisa que mudaria os destinos da minha vida - aos Domingos o onibus so passa (o primeiro) as 9:40hs da manha, sendo
que a maioria das pessoas honestas e limpinhas (sim,aquela gente que vc ate ja ouviu falar sobre,existe) como eu entra as 9:00...  e agora ? Agora sao 4km de caminhada aos sabados e domingos.  Acordei, peguei meu uniforme preto e me mandei para a tal empreitada (trabalho no bar,lavo louca e faco os cafes entre servir drinks dos quais soh posso sentir o cheiro) e no caminho pensei em que falta fazia meu celular, para mandar uma mensagem, jogar conversa fora, etc... 
Bem, no caminho existe uma feira (na verdade em frente ao meu trabalho) um open market, diria,e aproveitei para dar uma olhada no que tinha de bom. Se estivesse de carro, chegaria tres minutos antes do trabalho e nao teria tempo.  Como ainda faltava mais de uma hora para entrar no trabalho, olhei o que tinha de bom na feira e sentei para ler um livro ate a hora chegar.
De repente, vem aquele cheiro dos deuses, pao fresco, bem atras de mim - uma padaria, daquelas de filme, pequenas, me convidando para a felicidade.  Sai da padoca saboreando meu pao quentinho (coisa rara por aqui, ja que so se compra pao no mercado, e daqueles de pacote).  Ate que nao foi tao ruim assim nao ter ido de carro.
Apos o trabalho, 500 copos lavados por minuto, setenta e sete crianças berrando pela sua Coca-Cola sem gelo, mas com limao, quatrocentos cafes f/w (Flat White, fui descobrir :cafe com leite mais do que ordinario com nome fresco), muitos muffins depois, estava livre para voar e ainda eram 1:00 pm !! Como sabia que uma galera estava indo para Mission Bay (praia) pensei sinceramente em aproveitar meu Domingo. Segundo um amigo, apos atravessar a ponte de North Shore, ficava
a uns tres kms, dava para arriscar uns 40 min. a pe, e claro - tudo pelo social.
Comecei andando pela cidade, vi alguns harbors, tudo muito legal. Apos uns quatro km, nada de ver onibus ou a tal da mission bay.  Andei, andei e andei e nada.
Apos uns 5km, percebi o quanto estava ferrado, mas continuei pois quem anda 5 anda 10 nao e??
Apos um hora, ja começava a amaldiçoar a falta do carro, enquanto via os asiaticos (90% da população aqui e da asia) passando em seus carroes esporte e amaldiçoava cada um deles, eles passam anos aqui estudando, tem carro, celular, laptop e nunca precisam ganhar um tostao, alem de ficarem pendurados na internet da Universidade, estes filhos da puta – adoro eles, mas apenas em suas quitandas, pastelarias e lavanderias e trabalhando para mim, sem saber falar uma so palavra de portugues. Se um deles olhasse torto para mim enquanto estava andando feito uma mula de
padre, eu juro que voava na carotida do maldito.
Visto que o meu humor ja nao estava aquelas coisas,continuei com a famosa teimosia brasileira (ah,
brasil, vc me mata) e fui em frente, ja tendo um principio de insolação e um enfarte.  De repente,
enxerguei uma barraca daquelas de canto de estrada vendendo morangos,olha que coisa boa, talvez
estivessem gelados, etc...
Ao chegar na barraca, a atenciosa senhora disse que nao tinha mais morangos e me ofereceu Feijoas, uma frutinha verde de casca dura e parecida com um figo da India (sem espinhos), apos ela me dar uma para provar,comprovei que a danada da fruta era boa pacas.
Comprei uma sacola e fui comendo, pela calcada, que nem criança. Se estivesse de carro, não teria
descoberto esta delicia que eh feijoa.
Cheguei em Mission Bay, dei umas voltas, encontrei os amigos,e tudo perdeu a importância. Naquela hora eu pensei em ligar para alguem, mas para quem, se não conheço quase ninguém? Ate que não e nada mal estar sem celular, afinal,e a unica maneira de ser achado em qualquer parte do mundo, a qualquer hora, não se pode mais nem trair hoje em dia por causa deste pequeno tirano, o celular que pede para ser carregado com carinho, alimentado por créditos, e ainda por cima
facilita as pessoas que você não quer falar, a te ligarem bem no meio do filme - olha que delicia.
Peguei uma carona com um amigo na volta, e pensei no cartão de credito que não vou ter que pagar (cortei com uma tesoura) e também na social que nao vou ter que fazer, aqui, posso andar com um cesto de frutas na cabeca que ninguem vai notar, ou saber de quem se trata.
Na minha homestay, tenho paz total, a geladeira sempre cheia, o telefone tem secretaria eletrônica para não perder um so recado...  ...se bem que abrir a geladeira e nao achar nunca,nunca, um bolo de fuba a toa, ou saber que tao cedo nao tera uma mensagem na secretaria de um amigo que esta te convidando praquele chopp, e meio chato, mas tudo tem o seu preco, ate a paz.  E saber que vc nao pode pegar teu carro, ir ate a casa de alguem onde vc abre a geladeira pra ver o que tem de bom, liga a televisao e joga conversa fora, tambem e um pouco frustante.
Ahhhh, essa vida de carro e celular me mata.

terça-feira, novembro 06, 2007

E agora :

Ok, quase dois anos de Brasil, quase nenhum post, quase nenhuma grana, sem emprego e ainda achando tudo muito estranho.

Estou tramando minha saída de emergência em breve, só posso adiantar que será pelo mar (ainda que a nado), mas pelo menos mais um verão brasileiro está à vista - o que não é nada mal, pois posso me preparar para meses e meses sem ver a cara do Sol.

Vamos retomar de onde eu parei.

Onde será que eu fui parar mesmo ?

segunda-feira, novembro 27, 2006

Como absorver impacto.

Certa vez, meu head chef disse que eu era ótimo para absorver impactos : poderiam cruzar 150 comensais famintos pela porta e desde que eu estivesse por perto, no problem, ele sabia que eu iria me virar, gritar, correr ao restaurante vizinho emprestar salada e fazer centenas de sobremesas (resumo: me estressar por ele) - ganhei o apelido de "reliable Ricardo" alguma coisa do tipo "confiável Ricardo", até aí, eu já com a bola cheia já estava me achando a última bolachinha do pacoteç até que veio a conclusão - "Você consegue por ser levemente retardado com toques de demência". Não sabia como reagir a isso.
Atualmente, eu não só concordo com isso, mas tenho um certo orgulho do fato de ter problemas mentais quase sérios, me poupa de baques gigantescos às vezes, simplesmente ligo o foda-se e deixo minha consciência nocauteada (às vezes por àlcool, o que funciona em alguns casos) mas apesar de parecer canalhice, atesto, é simplesmente a praticidade de saber que não se pode fazer nada em dado momento.
Se alguém não acredita em você em qualquer situação que seja, por mais que você esteja falando a verdade, simplesmente esqueça o assunto. Quanto mais tentar convencer mais vai parecer mentira.
A outra grande utilidade dessa cara-de-pau é que eu poderia escrever um livro intitulado "Como dar más notícias em três lições" - esse trampo sempre sobra para mim, por mais que tente me safar.
Porque estou falando tudo isso ?
Sei lá, mas ultimamente comecei a reparar o que estar cercado na maior parte do tempo por gente que não conhece;se importa fez comigo nos últimos três anos. Espero tudo de todos, e nada mais me choca - muitas coisas mudaram muito... ...não tenho mais algumas curiosidades mórbidas, não me interesso muito pelo que não me toca, pelo que falam e pelo que não falam. Me interesso pelo que sinto pelas pessoas, e pelo que fazem por mim (ainda que seja só me fazer sorrir, já vale muito).
Continuo absorvente - porém nada tão íntimo.

sexta-feira, novembro 24, 2006

E vem os Girassóis...


Como bom cidadão paulistano, nos dias ensolarados eu ando dependurado na janela de meu carro pela megalópole (exceto pelo fato de eu não ser paulistano, claro) e no meu caminho de volta para casa passo pela Cerro Corá e outra avenida que não sei o nome.
Bem em frente da Ponteio Churrascaria da Lapa tem uma figura de uma mulher com uma cesta de vime, panfletos e uns Girassóis balançando ao vento enquanto aborda os motoristas dos carros, até aí, sem surpresa pois tem todo tipo de gente oferecendo todo tipo de coisas no trânsito de Sampa - desde guarda-chuvas passando por carregadores de celular e culminando no meu preferido : Mentex (aliás, cadê os Mentex ?).
Enfim, a figura fica paradinha encostada em uma árvore esperando a presa, desavisada, parar no semáforo trifásico que demora horrores, para poder chatear à vontade os pobres cidadãos. Chegou a minha vez : ela simplesmente não tem noção de espaço interpessoal ou privacidade - enfia a cabeça e os Girassóis dentro do carro e começa a balbuciar coisas sobre a Natureza começando sempre com "Você sabia que..." e oferece sementes em troca de um trocado qualquer para uma fundação dessas aí, mas sempre falando compulsivamente. Difícil é entender como ela consegue segurar a cesta, um panfleto enorme e ainda sim pegar o dinheiro ao mesmo tempo. Dei a merda de um trocado para me ver livre dela. Dia após dia, passava por lá e ela estava à espreita, apesar de me abordar com as mesmas frases catch a desgraçada nunca lembrava de mim e pelo fato de passar todo santo dia por aquele cruzamento eu saquei que a tal instituição do caramba não passa de caô puro, aquele era o emprego dela e pronto.
Até que um dia, exausto do trabalho e de saco cheio, estava eu ouvindo minha musiquinha e pensando na vida quando a infeliz enfia a cara dentro do carro (Girassóis inclusos) e começa "VOCÊ SABIA QUE AS PLANTAS..." eu dei um pulo e quase me agarrei ao banco do passageiro e mesmo assim, a louca desvairada continuou o rap dela sem nem se importar com o meu desconforto. Gritei de volta "E VOCÊ SABIA QUE... ...VOCÊ PODE MATAR ALGUÈM DO CORAÇÂO ASSIM ???" ainda assim, a idiota não parou de falar o script, quis matar.
Nos dias seguintes, antes de chegar ao semáforo, eu já começava a me sentir incomodado, avistava a FDP de longe e tinha que me enfiar na fila de carros mais longa, fechar os vidros e aumentar o volume do som no máximo e até fingir que estava no celular não adiantou - ela simplesmente não se tocava, nem lembra de você, mesmo dando um cheque de R$ 5000,00 hoje, ela vai enfiar a cara no seu carro como um camelo do Simba Safári e te pedir um real amanhã.
Até a fatídica tarde, em que estava chegando ao cruzamento e percebi que não havia carros suficientes para me esconder - ela saiu feito uma alucinada em direção ao primeiro carro que ela encontrou, eu ali, suando e olhando para as luzes, quando enfim o carro da frente conseguiu se livrar dela que agora olhava diretamente para mim e caminhando (tentei evitar contato visual) ela vinha, eu olhava para ela, olhava para as luzes, olhava para ela se aproximando em slow motion, luzes... ...a um metro da janela do carro, VERDE !!
Ela parou (na verdade parecia mais uma freada) eu olhei nos olhos dela e gritei "RÁ" e acelerei fundo com a satisfação infantil de vê-la estarrecida pelo retrovisor.
Depois disso, ela sumiu, fazem mais de duas semanas que ela deixou o posto dela vago para uma vendedora de cofrinhos de porquinho.

Todos tem que ter um inimigo, um nêmesis.

O meu, é a mulher dos Girassóis.
 
Zilek : Immobilier Vervins
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